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Desejos de Bom AnoPor Manuela Fonseca
Barreiro

Quererão tais aves de rapina tirar-nos o Serviço Nacional de Saúde? Estão a tentar acabar com ele há largos meses, na maior falta de respeito pelo legado do Doutor Albino Aroso, sobretudo em relação à queda da mortalidade infantil e ao apoio a filhos planeados? Estão a tentá-lo, na maior falta de respeito pelos Portugueses?

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Desejos de Bom Ano Por Manuela Fonseca Barreiro

Por Jornal Rostos

Chamei, um dia, segunda casa ao Hospital do Barreiro. Fi-lo quando o meu marido e filho mais novo me levaram para um curto internamento, devido a exame médico complexo, no Verão de dois mil e sete. No principal átrio exterior, disse-lhes que, com um bocadinho de sorte, isso me aconteceria dali em diante.
Tentara parecer-lhes descontraída. Sozinha, o curto caminho do elevador era como subida íngreme e, no quarto da enfermaria, chorei, também emocionada com a situação da única doente que estava ali e ma contou. Procurei que o escasso sono nocturno não se demorasse (suponho que, há muitos anos, as chegadas, a quaisquer horas da madrugada, do pai, maquinista, devem ter-me tornado criança vígil nesse período e assim continuei), o que aconteceu.
A biopsia, incomodativa, atenuada pela competência e simpatia da médica que a executou, coadjuvada por profissionais tão atentos e delicados como ela, proporcionou um tratamento, também maçador, longo, que, pouco a pouco, me animou.
Dias e dias, melhoras, outra recidiva, recomeço de novas canseiras: mais um internamento, consultas diversas, medicações, desânimo e alento renovados, entrelaçados. Lutei pela reinvenção de dias, os olhos num eventual futuro. Quase exausta, embora.
No fim de 2012 soube que seria avó, de novo; o ano anterior trouxe-me a primeira menina, chegada em Julho; estava ali o porvir, afinal: tinha que aguardar a rapariguinha, (soube do género em Março) que imaginava em cada dia – emoldurei parte da ecografia que a apresentava.
O nascimento da Ana Filipa, os progressos, desportivos e escolares, do David, o primo adolescente, foram a primeira motivação para tentar aguentar-me e desdobrar os dias; a outra ainda cá está, infelizmente – a falta de dignidade de políticos (?) que desgastam, roubam, ultrajam a maioria dos portugueses. Desejei que tais espécimes perdessem as eleições autárquicas e dei para isso a minha contribuição, na mesa de voto, em castigo para a desvergonha de tais abutres humanos.
Supus, como tantos compatriotas, que se fossem embora, no início de melhores dias que o presidente da república não quis ou não soube antever.
A Ana Filipa nasceu (saudada neste jornal, o que agradeci, na altura, e agora repito ao Sousa Pereira, que deu a notícia, e aos amigos que me felicitaram pela vinda da pequena) no dia catorze de Julho, algumas horas depois das excelentes provas de karaté, que, por feliz coincidência, o David fez, em Coimbra.
Finalmente, a dor foi vencida por um período de euforia, iniciado no (meu) Dia dos Netos, comemorativo, aliás, do início da Revolução Francesa que, apesar de tantos aspectos negativos, deu à Humanidade a janela aberta para melhores dias que, aos poucos – mesmo com “eles” e, antes, com os tataravós a quem são mental e culturalmente iguais, fenómeno estranho – a História nos traz.
(Ela não pára, mesmo com o achincalhamento do nosso Povo e o fingimento de que tudo está bem; ignorantes, desconhecem-na mas terão tempo de estudá-la, logo que desapareçam da nossa vista.
Quererão tais aves de rapina tirar-nos o Serviço Nacional de Saúde? Estão a tentar acabar com ele há largos meses, na maior falta de respeito pelo legado do Doutor Albino Aroso, sobretudo em relação à queda da mortalidade infantil e ao apoio a filhos planeados? Estão a tentá-lo, na maior falta de respeito pelos Portugueses? Talvez o Ministro da Saúde, um cavalheiro, e a equipa que o assiste o impeçam. E nós, claro! Já chega de barbaridades!)
O Centro Hospitalar Barreiro Montijo acolheu-me, em mais um tratamento e, de seguida, corri para a criança que fora dada à luz na noite anterior – coíbo-me de reproduzir comentários, eufóricos, entre esse momento e hoje, iguais, certamente, aos de biliões de pessoas, que produzo, orgulhosa e risonha, só em família.
Mais um elo, bem forte com a organização que zela por mim. (Nas poucas vezes em que encontrei profissionais “distraídos”, disse-lhes o que entendi necessário, considerando-os excepção à competência dos muitos que a demonstram.)
E, pelas boas razões que me ligam a esta instituição, um pouco antes da mudança de ano civil, peguei no telefone, ouvi a senhora que me atendeu dizer o nome, referi-lhe que era para lhe augurar Feliz Ano Novo, o que faria junto de outrem. Cumpro-o por esta via, e alargo os bons vaticínios a todos os voluntários, bombeiros, acompanhantes, doentes que lá se encontram ou que por ali passem durante este ano.
(O mesmo para todos o que fazem o “Rostos” ao elaborá-lo, lê-lo e comentá-lo).

Manuela Fonseca

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