CRITICAS E CRÓNICAS – «Um momento no cinema»Três filmes que concorrem aos Óscares
Por Diogo Coelho
Barreiro

Por Jornal Rostos
E assim, como o prometido é devido, dedico esta crónica a uma observação inicial de três filmes que tive a possibilidade de visionar neste mês e que concorrem aos Óscares na presente edição: "12 Anos de Escravo"; "O Lobo de Wall Street" e "Golpada Americana". Por onde começar?
Os referidos filmes são bastante distintos em termos de temáticos e temporais e por isso complicados de relacionar, no entanto apresentam um caracteristica em comum: o estudo do exagero e dos limites do Homem em vários aspectos da sua existência. No drama histórico de Steve McQueen - "12 Anos de Escravo" - temos uma perspectiva dura e frontal da escravatura na América nos séculos XVIII e XIX focada num músico que é vendido como escravo durante mais de uma década e as mudanças que essa situação imprime na sua capacidade de se relacionar com as pessoas e na sua ânsia sempre presente de voltar para casa. É um drama poderoso, elevado ainda mais pelo factor veridico do relato de vida de Solomon Northup e conta com duas performances absolutamente icónicas através de Chiwetel Ejiofor como personagem principal e Michael Fassbender como o "vilão" que não é mais do que uma representação fidedigna do ser humano sem moral e capaz dos actos mais cruéis imaginados que o escraviza a dada altura na narrativa. Além de dois actores no topo das suas capacidades, "12 Anos de Escravo" é realizado por um dos mais talentosos realizadores britânicos dos últimos tempos, Steve McQueen ( realizador de "Hunger" em 2008 e "Shame" em 2011) que poderá ter neste filme atingido finalmente o estatuto de realizador do momento, o que só lhe possibilitará mais projectos para demonstrar a sua qualidade.
O filme número dois é, para mim, a grande incógnita dos três. Não por se tratar de um mau filme, está longe disso mas porque é o que mais divide a audiência, estou a falar portanto do mais recente trabalho de Martin Scorcese,"O Lobo de Wall Street". Tratando-se de mais uma história veridica, Scorcese utiliza-a toda a sua visão pessoal para contar uma história que se recusa a cair na critica ao estilo de vida em Wall Street e das pessoas que contribuiram para a falência financeira nos Estados Unidos da América. Uma narrativa contada através da revelação de todos os excessos e loucuras das personagens sem um pingo de moralidade serve de pretexto fantástico para mais uma enorme performance de Leonardo Dicaprio e para uma realização do Scorcese que, não fosse o seu enorme talento, não podemos chamar-lhe algo mais do que "habitual". Sem dúvida, um dos realizadores modernos mais talentosos e eficientes, raramente assina um mau filme e este é sem dúvida um regresso aos seus tempos de "Tudo Bons rapazes" com diálogos entusiasmantes, performances loucas de um elenco escolhido a dedo e uma edição rápida, fresca e actualizada para um filme a rondar as três horas. Nunca aborrece.
Por fim, falaremos do pior: "Golpada Americana". Mais uma vez, longe de se tratar de um mau filme, apenas o mais fraco dos três. Confirmado recentemente por Christian Bale, o filme de David O. Russel apostou forte nos improvisos do melhor elenco do ano e os resultados são desequilibrados: enquanto Bale e Amy Adams estão no seu melhor (mais uma vez); Bradley Cooper revela que a sua falta de versatilidade começa a atrapalhar as suas escolhas na carreira e Jennifer Lawrence, embora se trate de uma actriz fantástica, é terrivelmente mal escolhida para o papel. Demasiado nova e com tendência para "mastigar o ecrã", falha no papel de mulher louca de Christian Bale. O problema do filme não se prende com a história base, embora esta seja demasiado complicada para o real interesse do filme, nem com a realização de David O. Russel que, não considerando ser de uma visão muito particular (todos os seus filmes têm um estilo de realização "prático" e pouco cinematográfico, sem um ponto de vista técnico e pessoal muito vincado), não atrapalha na totalidade. O problema reside nos actores que, com a imensa liberdade concedida acabaram por tornar a narrativa pouco clara, as cenas demasiado arrastadas e o foco principal da história demasiado aborrecido. Ainda assim, entendem-se as nomeações aos prémios partindo do principio que não passarão disso mesmo, nomeações.
Para a próxima crónica, falarei dos nomeados para a cerimónia mais importante da sétima arte e dos filmes esquecidos que mereciam um lugar na ribalta.
Diogo Coelho













