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CRITICAS E CRÓNICAS – «Um momento no cinema»Por Diogo Coelho
Barreiro

A questão aqui é que Breaking Bad não foi um milagre, foi uma aprimoração de anos e anos de avanços no domínio televisivo americano que hoje rivaliza com o cinematográfico: séries como The Sopranos e Six Feet Under no drama; Spartacus e Arrow em acção e entretenimento puro e Louie em comédia são apenas alguns exemplos de séries cuja qualidade apenas reflecte a aposta no formato televisivo que permite algo que o cinema apenas pode ambicionar: "longevidade".

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CRITICAS E CRÓNICAS – «Um momento no cinema» Por Diogo Coelho Barreiro

Por Jornal Rostos

Hoje vamos esquecer o cinema. Mas apenas por uma crítica e, aliás, nem sequer sairemos totalmente da temática pois vamos falar da mais recente aposta do canal privado americano HBO, True Detective.
Primeiro vamos falar da premissa para quem não ainda não conhece a série: "Dois detectives da Divisão de Homicídios procuram um assassino em série no Louisiana durante dezassete anos". Parece bastante genérico, certo? Bem, não é de todo. Ainda é cedo para tirar conclusões precipitadas mas poderemos estar a vislumbrar um sucessor digno de Breaking Bad na categoria de melhor série americana dos últimos anos.
Quando, em 2013, o último episódio de Breaking Bad saiu e a série foi concluída aos olhos do público, gerou-se uma sensação de desconforto e tristeza. A possibilidade do aparecimento imediato de uma série com tamanha qualidade era algo impensável pois, como se diz na gíria, "milagres não acontecem todos os dias". A questão aqui é que Breaking Bad não foi um milagre, foi uma aprimoração de anos e anos de avanços no domínio televisivo americano que hoje rivaliza com o cinematográfico: séries como The Sopranos e Six Feet Under no drama; Spartacus e Arrow em acção e entretenimento puro e Louie em comédia são apenas alguns exemplos de séries cuja qualidade apenas reflecte a aposta no formato televisivo que permite algo que o cinema apenas pode ambicionar: "longevidade". Essa longevidade temporal carrega naturalmente melhor capacidade de desenvolvimento de personagens, melhores situações e conflitos e sobretudo uma calma e segurança no contexto narrativo envolvido no simples acto de "contar uma história". Ora com todos estes exemplos e com o papel cada vez mais proeminente das séries de televisão americanas aos olhos da audiência geral, Breaking Bad foi o seu expoente mais alto. E agora, em pleno 2014, pode ter sido encontrado o seu sucessor honrado.
Sem querer revelar mais do que seria conveniente, trata-se de uma série que destrói todas as bases genéricas que o público poderia assumir tendo em conta a sua temática e narrativa: longe vão os tempos dos policiais à "CSI: Las Vegas" ou as demais cópias focadas nos casos da semana e na sua resolução episódica. True Detective é o que mais perto encontramos de um filme de oito horas (oito episódios de sessenta minutos cada) cuidadosamente construido, com o foco nas personagens memoráveis (a parceria genial de Matthew McConaughey e Woody Harrelson) e numa narrativa que salta no tempo, apresentando duas (ou três?) "timelines" que vão contando a história e, muitas vezes, enganando o próprio público e as personagens ao mesmo tempo. No meio de toda esta "confusão" ainda encontramos uma banda sonora fortissima, uma realização ao nível dos grandes autores de cinema americanos, com uma atitude sem medo de correr riscos apostando em sequências técnicas que estamos apenas acostumados a visualizar nas salas de cinema e ideias profundas baseadas em problemáticas filosóficas e existenciais que respeitam a audiência que assiste, obrigando-a a pensar e a reflectir muito depois do episódio ter terminado.
O tempo apenas dirá se estaremos mesmo dispostos a abrir os braços para aceitar a nova "grande série" americana mas se o registo de True Detective se mantiver, temporada após temporada (com a nuance de que toda a narrativa e conjunto de personagens muda de uma para a outra), provavelmente não teremos de esperar mais. E ainda bem.

DIOGO COELHO

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