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CRITICAS E CRÓNICAS – «Um momento no cinema»Consumimos as séries como filmes longos com mais de oito horas
Por Diogo Coelho
Barreiro

A verdade é que, lentamente e com toda a paciência necessária, vemos as séries de televisão a ganharem o prestigio e o protagonismo que já mereciam há anos. Séries como Breaking Bad; True Detective; The Sopranos; Spartacus; Louie, entre outras, não podem ser julgadas apenas como programação inferior para quem não fez carreira no cinema.

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CRITICAS E CRÓNICAS – «Um momento no cinema» Consumimos as séries como filmes longos com mais de oito horas Por Diogo Coelho Barreiro

Por Jornal Rostos

Assistimos, nos últimos anos, a uma viragem interessante na forma como processamos e consumimos o cinema. Antes, esta arte era apreciada nas salas de cinema e, num âmbito mais caseiro, nos leitores de VHS e de DVD em virtualmente todas as habitações. As pessoas informavam-se sobre um filme, reuníam a informação que achassem relevante e decidiam sobre o seu visionamento através dos métodos referidos. Hoje, estas opções continuam disponiveis (bem, excepto o leitor de VHS) mas cada vez mais o público sedento de cinema direcciona-se agora para, quem sabe, o melhor receptor e impulsionador da "arte" do cinema como gostariamos de imaginá-la, falo portanto da televisão e mais especificamente das séries.
A verdade é que, lentamente e com toda a paciência necessária, vemos as séries de televisão a ganharem o prestigio e o protagonismo que já mereciam há anos. Séries como Breaking Bad; True Detective; The Sopranos; Spartacus; Louie, entre outras, não podem ser julgadas apenas como programação inferior para quem não fez carreira no cinema. Agora, trata-se do contrário. As estrelas de cinema olham para a televisão como o melhor meio para uma caracterização profunda e trabalhada das personagens, para uma narrativa que surge em crescendo sem saltar etapas e com a devida temporização de maneira a obter os frutos num dado momento e sobretudo para uma perspectiva técnica e artistica de todos os momentos que fazem um filme (fotografia, banda sonora, som, diálogos e acção) superior a grande parte dos projectos cinematográficos produzidos por Hollywood nos recentes tempos.
A aposta está a tornar-se demasiado visivel para quem se recusa a olhar e, cada vez mais, consumimos as séries como filmes longos com mais de oito horas. Séries essas onde mal conseguimos suster a respiração na antecipação de cada momento e onde podemos, enfim, até imaginar-nos numa sala de cinema escura a olhar imagens em movimento e a sinfonia interligada de trechos musicais. Mas na verdade, encontramo-nos sentados nos nossos sofás, momentaneamente distraídos pelos barulhos dos carros e das pessoas na rua, mas nunca o suficiente para desviar o olhar.

Diogo Coelho

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