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O agitar de uma nova bandeiraPor Jorge Fagundes
Barreiro

“Não, há muito mais a assinalar. Segundo tenho lido, e nessa abordagem a que aludes, o assunto parece estar bem equacionado, devido ao calado dos atuais portos ( carga a granel e de líquidos) ser de 6,5 metros, e os navios de transporte de contentores precisarem de um calado entre os 12 e os 14 metros, serão necessárias dragagens, para futura abertura de um canal, as quais, além da manutenção em devidas condições, do mesmo, custarão largos milhões.”
“Mas, existirão verbas para isso?”

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O agitar de uma nova bandeira Por Jorge Fagundes Barreiro

Por Jornal Rostos

Hoje, após o almoço, e quando ia a caminho do Ginásio do Barreirense, ao passar junto às esplanadas sitas na zona do Mercado 1º. de Maio, lá estava, numa delas, aparentemente absorvido na leitura de um jornal, o meu velho Amigo e Colega da Escola Alfredo da Silva. No entanto, deu por mim e chamou-me.
“Anda até aqui. Senta-te e toma uma bica”.
“Obrigado, então como vais?”
“De saúde, nada mal. Mas, quer fique em casa, quer saia para a rua, tenho a angustiante sensação e que me estão a meter as mãos nas algibeiras!”
“Tens tu, tenho eu e muitos e largos milhares de portugueses. Como se uma desgraça, de nome D. Crise, senhora de largos costados, não nos chegasse, temos de aguentar os milagrosos remédios receitados pelos médicos (???) da troika. Se isto não findar, não morreremos da doença, mas sim da cura!”
“Tens razão. Mas, mudando de assunto. Estava a ler um artigo/entrevista a um senhor, que, aparentemente, até sabe do que fala, a propósito da necessidade, em Lisboa, de um porto de carga de águas profundas. Tens acompanhado este assunto?!
“ Como cidadão barreirense, ainda que os dados conhecidos escasseiem, tenho procurado, dentro do possível, manter-me ao corrente.”
“ E achas que esse tal porto de águas profundas pode, mesmo, vir para o Barreiro?”
“Ainda que, por mera hipótese académica, admita que o celebrado velho do Restelo tenha nascido no Barreiro, julgo que, se fosse vivo, manifestaria muitas, e sérias reservas, neste caso.”
“Porquê?”
“Voltando à questão do pouco conhecimento, a nível geral e local, dos eventuais estudos existentes, várias dúvidas se suscitam, em minha, e não só, opinião”
“Quais?”
“Como é mais ou menos sabido, na área do estuário do Tejo a ser abrangida pela instalação de tal porto,existem milhares de toneladas de metais pesados, e de pesticidas, que, por via das dragagens necessárias, terão de ser remexidas. Li que esse problema tem soluções, mas muito dispendiosas.”
“Só isso?”
“Não, há muito mais a assinalar. Segundo tenho lido, e nessa abordagem a que aludes, o assunto parece estar bem equacionado, devido ao calado dos atuais portos ( carga a granel e de líquidos) ser de 6,5 metros, e os navios de transporte de contentores precisarem de um calado entre os 12 e os 14 metros, serão necessárias dragagens, para futura abertura de um canal, as quais, além da manutenção em devidas condições, do mesmo, custarão largos milhões.”
“Mas, existirão verbas para isso?”
“É dos, muitos pontos, por aclarar (sem intervenção do TC, claro!!!) , pois se menciona que terá de ser, no essencial, um investimento privado. Quem se arriscará?”
“Pareces ter muitas dúvidas!”
“É verdade. E, a exemplo de outras bandeiras recentes, bem agitadas por este Barreiro, mas nunca concretizadas, será mais uma?”
“ A que te referes?”
“Olha só, e sem se ser exaustivo: a cidade do cinema e a terceira travessia do Tejo. Tudo obras super- importantes e dinamizadoras da apagada e vil tristeza em que o Barreiro vive. E todas elas criadoras, como agora se apregoa quanto ao porto de águas profundas, de inúmeros postos de trabalho. Por isso, meu Caro Amigo: estaremos perante o agitar de uma nova bandeira? O tempo, a curto prazo, o dirá!”

Jorge Fagundes

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