O Poder e o poderPor Nuno Cavaco
Moita

Por Jornal Rostos
Somos portugueses e como tal, não poderíamos sentir de outra forma. Somos um povo alegre, culto, bem disposto e que sabe receber muito bem , mas sofremos de um grande mal, temos uma fraca memória. É normal, entendendo o conceito como recorrente e não como natural, que façamos de gente reles os nossos heróis. Gente que já fez e faz muito mal, mas que quando coloca uma gravata e lá do alto do palanque diz uma coisas bonitas, ainda que não sejam verdades, lá nos arranca um sorriso ou uma lágrima.
Somos portugueses, somos do país do fado e da saudade, talvez por isso a nossa memória nos pregue partidas. Procuramos o D. Sebastião que nunca virá, um Eusébio todas as épocas e um super-homem todos os anos, porque não acreditamos em nós, porque dá trabalho, porque é complicado, porque mais vale esperar do que arriscar, mais vale viver confortável do que na constante agitação que nos leva a quer transformar o mundo.
Assim percebemos que Gaza é lá longe, que a Síria não nos diz respeito, que os aviões que caem não caem aqui. Num mundo cada vez mais globalizado praticamos a distância da tragédia, olhamos para o longe e não a vemos.
Tudo perfeito não fosse a tragédia nos bater à porta constantemente.
Mas se nos bate à porta essa maldita não seria agora a altura de perceber o porquê? Os heróis não aparecem, a não ser aquele que fez o 25 de Abril, que se juntou por Timor, que chorou a Amália e o Eusébio, aquele que me faz ter orgulho de ser o que sou, o meu povo, o povo português.
Só quando este povo perceber que não há Passos Seguros, nem Portas sempre abertas e que não temos as Costas largas, poderá assumir o seu papel na história. Papel que ficou interrompido com mais de 30 anos de politica de direita.
Só quando os portugueses perceberem que os políticos são por si eleitos e são eleitos para lhes resolverem os seus problemas, este país mudará para melhor.
Só quando percebermos que o Poder deve ser atribuído a quem o quer usar para o serviço do povo e não para o seu próprio serviço ou para ter o Poder pelo Poder é que poderemos ambicionar a ter um país mais justo, mais solidário e mais fraterno.
O Poder pelo Poder, a todo o custo e sem olhar a meios, não nos leva a nenhum outro lugar senão ao que chegámos. O Poder é nosso, do Povo e é nesse povo poderoso em que eu acredito.
Acreditem, porque crer é poder!
Nuno Cavaco
Militante do Partido Comunista Português













