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CRITICAS E CRÓNICAS – «Um momento no cinema»A meio de um ano de surpresas cinematográficas
Por Diogo Coelho
Barreiro

Sequela directa de "Rise of the Planet of the Apes" de 2011 e o filme número oito do franchise que já existe desde 1968, o mais recente desta saga apresenta-se ao mesmo tempo como o melhor e uma verdadeira obra de referência em vários aspectos.

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CRITICAS E CRÓNICAS – «Um momento no cinema» A meio de um ano de surpresas cinematográficas Por Diogo Coelho Barreiro

Por Jornal Rostos

A meio de um ano de surpresas cinematográficas, podemos com alguma facilidade reconhecer que o paradigma alterou-se um pouco. Este ano as grandes produções de Hollywood estão a ser, ao mesmo tempo, os melhores filmes tanto para a crítica como para o público geral relegando, para já, os filmes independentes e as produções "indie" para um segundo plano depois de, no ano passado, a situação ser inversamente proporcional.
Poderia falar da qualidade inegável do mais recente filme do franchise "X-Men" (um dos melhores da saga e um dos filmes do ano) ou da adaptação americana de uma manga japonesa chamado "Edge of Tomorrow" que se afirmou como um dos melhores filmes de ficção cientifica de acção dos últimos anos mas, nesta crónica e sem entrar por explicações da narrativa, pretendo falar do filme que cada vez mais se afirma como forte possibilidade de ser um "concorrente" aos Óscares do próximo ano - falo de "Dawn of the Planet of the Apes".
Sequela directa de "Rise of the Planet of the Apes" de 2011 e o filme número oito do franchise que já existe desde 1968, o mais recente desta saga apresenta-se ao mesmo tempo como o melhor e uma verdadeira obra de referência em vários aspectos. A realização pertence a Matt Reeves e está muito bem entregue pois este consegue um trabalho fantástico de apresentar-nos a este mundo pós-apocaliptico sem "desertos e casacos de cabedal" e antes, mostrando um mundo em decadência mas que apresenta ainda uma imagem viva do passado, combinando visuais fantásticos das florestas e da comunidade dos macacos com a sociedade pequena e turbulenta dos humanos com um detalhe bastante notório. O elenco é forte e, através da captura de movimentos, é fácil de perceber para onde a tecnologia no cinema deveria e felizmente está a ser utilizada. Andy Serkis, no papel principal de César, merece com toda a justiça uma nomeação aos Óscares pelo trabalho neste filme. Isto é representação pura em todos os sentidos: expressividade, tensão, controlo do corpo, profundidade vocal e sobretudo atenção a todos os detalhes e movimentos próprios da personagem.
Se a realização e o elenco elaboram os aspectos unificadores da qualidade desta obra, o guião não pode passar despercebido e trata-se de um argumento sério que leva a sério a audiência, que não pretende passar o tempo até à próxima cena de acção e que conta uma história adulta, forte e profunda que qualquer pessoa vai apreciar e sobretudo retirar algo da experiência no final. É um filme para adultos e para adolescentes que merece todo o respeito e prémios pois, na verdade, estamos perante um dos mais relevantes projectos cinematográficos dos últimos anos seja qual for o género que se deseja rotular.

Diogo Coelho

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