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O fiel da balançaPor Jorge Fagundes
Barreiro

“Ora, se devido a uma ação fraudulenta o Banco deixar de cumprir, o prato onde estão as tuas economias vai abaixo!”
“É mesmo!”
“Pois é. E num caso destes, que entre nós começa a ser corriqueiro, o fiel da balança chama-se Justiça. Assim sendo, como a carruagem da nossa Justiça tem andamentos diferenciados, como achas que devo acabar o meu desenho?”

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O fiel da balança Por Jorge Fagundes Barreiro

Por Jornal Rostos

Ao passar, esta manhã, junto ao Mercado 1º. de Maio, lá estava o meu velho Amigo e Colega da Alfredo da Silva comodamente instalado à mesa de uma das esplanadas e tão absorto no que fazia que nem deu pela minha chegada.
“Bom dia! Como vais?”
“Bom dia! Desculpa, mas nem dei por ti!”
“Boa! Estás a desenhar uma balança, daquelas antigas, porquê?”
“Deu-me para isso mas estou um tanto ou quanto confuso!”
“Ora essa! Sempre te conheci, na nossa Alfredo da Silva, como um barra em desenho.”
“Por acaso até fui! Bons tempos, meu Amigo, bons tempos. Por ali passaram, na disciplina de Desenho, como em outras, Professores de grande mérito e deles me recordo com muita saudade!”
“Tens razão! O primeiro Diretor, Portugal de Lacerda, foi um pintor de alta valia. Em dois quadros até pintou duas das nossas Colegas mais bonitas: a Leónia e a Berenice. O segundo Diretor, Pedro Jorge Pinto, além de pintor, deu cartas na área da cerâmica. E também ali tivemos um grande pintor, que até te deu aulas (a mim foi Pedro Jorge Pinto), o Sousa Gomes!”
“Aquele, que por ser de baixa estatura, lhe chamávamos, carinhosamente, o “meia pedalada!”
“É verdade. De baixa estatura sim, mas grande como Professor e como Homem! Fumava, muito, uns cigarros que se vendiam em maços pequenos (Definitivos?) e que os alunos, a seu pedido, lhe iam comprar!”
“Bem me lembro, bem me lembro. Fomos muito felizes naquela Escola que bem nos preparou, como a centenas de outros Barreirenses, para a vida. Mas, adiante, que achas do meu desenho?”
“Está a ficar muito bom, o que não me causa admiração, mas ainda lhe falta aquele pormenor do chamado fiel da balança.”
“Aí é que está a minha confusão. Como bem te deves lembrar, nas antigas balanças mecânicas existiam dois pratos. Num deles colocava-se o peso padrão e no outro a mercadoria para venda. E o ponteiro que indicava o ponto de equilíbrio entre os dois pratos era o denominado fiel da balança.”
“Certo! E, nos nossos dias, a expressão fiel da balança existe com o sentido de manutenção de equilíbrio entre partes.”
“Pois existe, mas vê só, entre muitos e muitos, este exemplo. Num prato de imaginária balança colocas as tuas economias e no outro prato a imagem de um Banco. Certo?”
“Certíssimo! Mas onde queres chegar?”
“Ora, se devido a uma ação fraudulenta o Banco deixar de cumprir, o prato onde estão as tuas economias vai abaixo!”
“É mesmo!”
“Pois é. E num caso destes, que entre nós começa a ser corriqueiro, o fiel da balança chama-se Justiça. Assim sendo, como a carruagem da nossa Justiça tem andamentos diferenciados, como achas que devo acabar o meu desenho?”

Jorge Fagundes

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