Uns. E OutrosPor Manuela Fonseca
Barreiro

Por Jornal Rostos
Vejo, desgostosa, nos canais televisivos, um pouco do que se passa em vários países da África Ocidental por causa da terrível doença provocada pelo vírus Ébola. Vejo, desgostosa, a falta de uma política na Libéria que minimize o sofrimento, num bairro, que se isolou, sem quaisquer medidas sanitárias, solidárias ou caritativas, como “gestão” do mal, os habitantes presos na pobreza e na infecção. (De qualquer maneira, parece-me importante, depois de imagens-denúncia, a ida da Presidente daquela República ao local.)
Vejo, desgostosa e perplexa, as barbaridades que gente de um “estado islâmica” (com minúsculas iniciais, sim) faz a muitas centenas de pessoas, bastantes seguidoras do Profeta, e oiço as brutalidades que pretende continuar a fazer. Pergunto/-me:
– Para quando uma estratégia política global que leve, rapidamente, os facínoras que ensanguentam o Mundo, não apenas esses, à derrota? Se, encontrada, não se puder resolver a caótica situação a bem, paciência.
Mas não preciso de pensar em regiões afastadas para observar o Sofrimento: portugueses desempregados, desvalorizados, tementes do pior em cada dia: na escola, na casa por pagar, no magro salário auferido, quando existe, na segurança que abrange, também, questões de saúde – uma mulher, doente oncológica, recentemente colocada numa escadaria, no Porto, por falta de habitação, após alta hospitalar, em notícia, recente, do “Jornal de Notícias” que me foi mandada através do “Facebook”!
Um Portugal retalhado, à espera de Equilíbrio e Justiça Social que acolheu, hospitaleiro como é costume, uma multimilionária norte-americana, em conhecida (e bonita) terra turística algarvia, Vilamoura. A mesma, em eventual figuração como “disc jockey”, terá auferido, por cerca de uma hora de provável – ou não – actividade, duzentos e sessenta mil euros, em local de divertimento nocturno, neste Agosto em que alguns podem ser “extravagantes”, desconhecedores das dificuldades de tantos e tantos, cá e noutros lados da – tão mal – dirigida Aldeia Global.
Agora que, no apelo ao apoio à investigação contra a Esclerose Lateral Amiotrófica, várias chamadas “figuras públicas” mundiais, entre as quais o nosso sempre peculiar Mourinho, têm levado com desconfortável água gelada sobre o corpo, Misse Hilton, a personagem em questão, não quererá dividir por três um dinheiro tão mal ganho, ela que, certamente, não sabe o que fazer aos milhões que acumula? Por exemplo: por instituições de apoio à tentativa de erradicação do Ébola na Libéria, que apoiem vítimas dos selvagens que matam inocentes, de Obras Sociais no nosso País?
Na tarde que passou, pensei em tudo isto ao ver uma jovem, por certo mãe, mal sentada numa pequena reentrância do edifício do IEFP no Barreiro, um menino nos braços, em choro convulsivo, na força do calor. (“Mas as crianças, Senhor…”)
Sim, certamente – será, talvez, uma questão de sensibilizarem a Misse para olhar à sua volta, principalmente os que lhe terão pago euros infindáveis por uma eventual inutilidade; Hilton não acabará com a parte vergonhosa do Planeta mas poderá começar a conhecê-la (melhor).
Manuela Fonseca













