Ninguém quer...casar com ela!Por Jorge Fagundes
Barreiro

Por Jornal Rostos
Em tempos que já lá vão, uma certa história infantil gozou de grande notoriedade: a da Carochinha, que, de repente, se vendo rica (embora a sua riqueza se reduzisse a uma única moeda de ouro) se abonecou e do alto da sua janela (talvez de modesto rés-do-chão) se propôs aceitar pretendentes ao casamento com ela.
Que foram vários, sistematicamente rejeitados, até ao escolhido: o João Ratão, que, além de ser bem falante (ou melhor, bem cantante), teria um defeito que passou despercebido à Carochinha: era guloso (ou esfomeado) e, na ausência da amada esposa, mesmo previamente avisado, não resistiu à tentação: abriu a tampa do caldeirão, debruçou-se demasiado, caiu no dito e assim se finou, cozido e assado.
Ora, nos tempos que correm, a antiga Carochinha, como é moda dizer-se, requalificou-se.
Agora se chama CULPA, e, possuidora, como o é, de toneladas e toneladas de ouro, e não só, passou a ter direito a ver o nome antecedido de um sonante DONA. Isso mesmo, DONA CULPA.
E, ao contrário da Carochinha, que apenas tinha como púlpito a sua janelinha, esta nova, rica e prendada noiva, tem à sua disposição, por esse mundo fora, a globalidade de tudo quanto por media se designa.
Pelo que resolveu aproveitar-se desse facto, e apregoar, a todos os ventos, a sua intenção de se casar.
Embora se diga que o mundo é redondo, o certo é que dos quatro cantos do dito (por mero acaso os nossos Lusíadas-ainda que nem todos o saibam- até têm mais), os pretendentes foram aos milhares.
Mas, por mais estranho que pareça, nem um só deles, por mais bem falante ou proprietário de todos os predicados (menos um, esse, sim, o fundamental) passou no crivo da escolha da DONA CULPA..
Apenas porque, por imposição dos pais (o Senhor HONESTO e a Senhora DIGNIDADE), por ela partilhada, nenhum esteve em condições de entregar o dote solicitado.
O qual,aparentemente bem simples, não era mais do que...o pretendente assumir as suas responsabilidades pelas acções por si praticadas.
Assim sendo, a DONA CULPA vai mesmo, mesmo,morrer velhinha e solteira!
Jorge Fagundes













