Notas... ao acasoPor Jorge Fagundes
Barreiro
Assim, esta nova iniciativa, ainda que circunscrita apenas a doze estudantes, talvez venha a ser alargada, quem sabe se a novos estudantes angolanos que, enquanto no Barreiro permaneceram, sempre tiveram um comportamento digno de registo.

Por Jornal Rostos
1 – UMA NOTA DE QUINHENTOS...
No começo da década de cinquenta, sob a direção de Igrejas Caeiro, correu todo o País um espetáculo denominado “Companheiros da Alegria”, o qual por razões políticas, viria a ser impedido, em 1954, de continuar as suas digressões (lembro-me de ter assistido a uma delas no campo do Luso). Igrejas Caeiro, durante anos e até 1969, manteve este programa no Rádio Clube Português.
Ora, durante os espetáculos itinerantes, havia um concurso destinado a amadores que pretendiam dar nas vistas, designadamente como cantores.
O vencedor recebia um prémio apetecível correspondente a uma nota de quinhentos escudos, assim se popularizando a expressão “uma nota de quinhentos não se pode deitar fora”.
E, a propósito de notas de quinhentos, foi notícia de primeira página a apreensão de largos milhares de notas de quinhentos euros, que nem sequer circulam no nosso dia a dia, a um cidadão de nacionalidade angolana. Mesmo com notas de quinhentos...como os tempos mudam!
2 - ALCÁCER DISTINGUE ALUNOS COM MÉRITO
Segundo veio referido num órgão regional (Semmais) o Município de Alcácer do Sal entregou, há dias, em cerimónia agendada para o seu Salão Nobre, os denominados Prémios de Mérito Escolar Municipal aos melhores alunos do concelho que se distinguiram pelo seu empenho no trabalho desenvolvido durante o ano escolar de 2013/2014.
Terão sido distinguidos três alunos do 2º. e três alunos do 3º. ciclo do ensino básico, e mais um do ensino secundário. Em valores monetários foram distribuídos cheques de 150, 250 e 400 euros.
Em tempos que já lá vão, a Câmara Municipal do Barreiro também atribuía, anualmente, quando da conclusão dos seus cursos, prémios aos melhores alunos do concelho no respeitante aos Cursos de Comércio, Indústria e Geral dos Liceus.
A cerimónia realizava-se, também, no Salão Nobre da da Câmara, e os galardoados recebiam, além do diploma...uma nota de quinhentos escudos!
Em 07 de Novembro de 1953 foram atribuídos prémios aos alunos que no ano letivo de 1952/1953 concluíram os seus Cursos.
Da Escola Alfredo da Silva foram premiados, no Comércio, Jorge Fagundes, e na Indústria, José Moreno Correia. Quanto ao Curso Geral dos Liceus (5º. ano) o prémio foi para uma jovem que,tanto quanto me recordo, frequentara o Liceu Nacional de Setúbal.
3 – PROTOCOLO BAÍA DO TEJO- POLITÉCNICO DE SETÚBAL- RUMO
Conforme o publicado no “ROSTOS” de hoje, “ a Baía do Tejo assinou com o Instituto Politécnico de Setúbal e com a Rumo, um protocolo com vista a alargar a oferta de residências para estudantes do IPS, nomeadamente os que frequentam a Escola Superior de Tecnologia do Barreiro”.
Para tal efeito serão recuperadas, na totalidade, “quatro moradias no antigo Bairro Operário”, moradias essas que “terão uma ocupação limite de três estudantes cada”. À Rumo caberá “apoiar o acolhimento dos estudantes e gerir, em articulação com os Serviços de Ação Social do IPS, a instalação dos estudantes nas moradias”.
Como, certamente, muito boa gente do Barreiro se recorda, ainda há bem poucos anos, no mesmo antigo Bairro Operário da CUF, foram instalados muitos estudantes universitários angolanos (falou-se, na altura, que seriam trezentos).
Por razões que nunca foram explicitadas, não obstante as pompas e circunstâncias iniciais, de um dia para o outro, esses estudantes, a maior parte dos quais a frequentar o Instituto Politécnico de Setúbal, regressaram a Angola.
Assim, esta nova iniciativa, ainda que circunscrita apenas a doze estudantes, talvez venha a ser alargada, quem sabe se a novos estudantes angolanos que, enquanto no Barreiro permaneceram, sempre tiveram um comportamento digno de registo.
Como o bem poderão dizer os, poucos, sobreviventes moradores no velho Bairro Operário!
Jorge Fagundes













