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CRITICAS E CRÓNICAS – «Um momento no cinema»«Hobbit»
Por Diogo Coelho

O primeiro "Hobbit" é desajustado e sem um tom assumido, o segundo repara alguns dos erros e comete outros (geralmente inventando e disparando na direcção oposta do material original) e o terceiro é um festival de batalhas e de sequências de acção sem que o público se interesse por algo que esteja a acontecer ou, pior ainda, perceba sequer "o que está a acontecer".

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CRITICAS E CRÓNICAS – «Um momento no cinema» «Hobbit» Por Diogo Coelho

Por Jornal Rostos

Novo ano e, com ele, uma nova crónica. Desta vez irá focar-se numa análise breve à trilogia épica de qualidade inquestionável, oriunda de uma saga de livros de fantasia, que iriam definir o género, escrita por Tolkien e que irá perdurar na história do cinema. Não, infelizmente não irei falar da trilogia "Senhor dos Aneis", mas antes no capitulo final e na retrospectiva dos três filmes da saga mais recente que nos traz de volta à Terra-Média, intitulada "Hobbit".
O primeiro ponto a assinalar é bastante simples - seria impossivel esta nova trilogia ter o mesmo impacto que a anterior. Tanto a nivel de recepção critica e comercial como em termos de qualidade. Os tempos mudaram e o cinema mudou ao mesmo passo. O CGI e as maravilhas dos efeitos especiais computorizados dominaram completamente os efeitos especiais práticos e a "velha" maquilhagem. Logo por aí a distinção entre as duas trilogias dá ares de sua graça.
Por outro lado, em termos narrativos esta trilogia "Hobbit" tenta pegar num livro pequeno e transformá-lo em três filmes de mais de duas horas cada um. Tarefa essa complicada e com a resolução esperada, infelizmente. São três filmes terrivelmente demorados e recheados de sequências sem qualquer propósito narrativo ou interesse do público apenas para chegarmos a vinte ou trinta minutos de algo fantástico. E sim, esses momentos também existem. Todas as cenas em que aparece o temivel dragão Smaug são uma maravilha cinematográfica, repleta de tensão, bom uso de efeitos especiais e uma personificação vocal inspirada de Benedict Cumberbatch como o dragão referido.
No entanto, estamos perante três filmes pouco equilibrados, pouco estruturados e a abusar um pouco da paciência da audiência que tanto apreciou os anteriores filmes do universo criado por Tolkien. O primeiro "Hobbit" é desajustado e sem um tom assumido, o segundo repara alguns dos erros e comete outros (geralmente inventando e disparando na direcção oposta do material original) e o terceiro é um festival de batalhas e de sequências de acção sem que o público se interesse por algo que esteja a acontecer ou, pior ainda, perceba sequer "o que está a acontecer".
Podemos dizer apenas que o erro de Peter Jackson foi pegar novamente no conceito de trilogia e aplicá-lo neste caso. Não era necessário. Resta saber se esta trilogia desnivelada e pouco consistente poderia ter sido tão boa ou melhor que a original se os interesses financeiros não se tivessem afirmado mais ainda do que a velha questão da "arte" no cinema. Será esta ainda importante?

Diogo Coelho

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