O estado da nossa saúdePor Nuno Cavaco
Moita

Por Jornal Rostos
Assistimos e muitos de nós sentem o estado da saúde na nossa saúde. Nunca a velha expressão,”… não tenho tempo para estar doente …”fez tanto sentido. Poderíamos utilizar outras expressões, mas a realidade encarrega-se de nos mostrar as doenças no nosso Sistema Nacional de Saúde.
Em primeiro lugar há que contextualizar o que chamamos de Serviço Nacional de Saúde (SNS) que contempla o conjunto de serviços e meios alocados de origem pública ou dependentes do sector público. Pode ser considerado como uma estrutura através do qual o Estado Português assegura o direito à saúde (promoção, prevenção e vigilância) a todos os cidadãos de Portugal. A sua criação remonta a 1979, após se terem reunido as condições políticas e sociais provenientes da Revolução de Abril. O objetivo primário do SNS é a persecução por parte do Estado, da responsabilidade que lhe cabe na proteção da saúde individual e coletiva e para tal está munido de cuidados integrados de saúde, nomeadamente a promoção e vigilância da saúde, a prevenção da doença, o diagnóstico e tratamento dos doentes e a reabilitação médica e social.
Feito o enquadramento há que referir que a criação do SNS em 1979 com a publicação da Lei n.º 56/79, de 15 de setembro, veio marcar o “nascimento” do sistema nacional de saúde, assegurando o acesso universal, compreensivo e gratuito a cuidados de saúde. Até lá, a assistência médica competia às famílias, instituições privadas e aos serviços médico-sociais da Previdência.
Assistimos portanto a um voltar atrás porque muito da assistência médica nos dias de hoje cabe às famílias, a instituições privadas e a instituições de carácter público ou privado, sendo que nos últimos anos as instituições privadas têm visto a sua importância crescer no Sistema Nacional de Saúde por opções políticas dos governos.
Desde o encerramento de equipamentos de saúde como Centros de Saúde, Maternidades e Hospitais a alterações às condições de acesso dos utentes com a introdução e o progressivo aumento das taxas moderadoras, a uma política desastrosa com os recursos humanos alocados à saúde.
Cortar na saúde é promover a doença como temos vindo a comprovar.
Médicos e enfermeiros saíram do público para o privado, centenas emigraram, originando assim uma sangria que também se paga com sangue, com doença e até com morte.
A justificação para estes ataques ao SNS é apresentada como a solução para os seus problemas. Dizem os nossos governantes que estão a cortar na saúde para salvar a saúde, que o SNS é insustentável, que consome demais. Ao mesmo tempo recusam renegociar uma dívida que na sua maioria é privada, mas que lhe chamam pública e não questionam o pagamento dos juros e serviços da dívida que serviriam para colocar mais pessoas a trabalhar na saúde, para fazer mais Centros de Saúde, mais Hospitais.
O estado da saúde tem sido uma opção.
Se os objetivos do SNS que são a proteção da saúde individual e coletiva estão em causa, então os sucessivos governos falharam em grande.
Quando um ministro diz que 700 mortes não o assustam, ou que não faz um Centro de Saúde que considerou prioritário, está claramente a demonstrar uma frieza e um afastamento à realidade que só pode ser sintoma de doença.
O nosso governo está doente, tratar as populações com esta indiferença, comportando-se como agente de eutanásia é no mínimo criticável e no máximo motivo de demissão, mas quem o poderia demitir também demonstra sinais de doença há muito.
Um caso em concreto da patologia tem que ver com a construção do Novo Centro de Saúde da Baixa da Banheira que há uns meses foi assumido como primeira prioridade pelo governo e que hoje pela boca do senhor ministro da saúde saberemos que não vai ser feito. Este governo sofre de mitomania!
Sofrer de mitomania e estar à frente de cargos públicos prejudicando milhões de pessoas é grave. O governo precisa que lhe tratem da saúde!
Para tal convido-os a participarem numa Sessão Pública onde discutiremos estas questões. No dia 14 de Fevereiro pelas 11 na Rua 1º de Maio na Freguesia da Baixa da Banheira.
O estado da nossa saúde pode ser melhorado bastando para tal que que o diagnóstico seja acertado e que o tratamento seja adequado. Uma boa dose de política patriótica e de esquerda pode levar a uma melhoria considerável da nossa saúde. Não efetuar o tratamento correto pode levar a complicações.
Já me esquecia … mitomania é o nome que deram à mentira compulsiva!
Nuno Cavaco
Presidente da Junta da União de Freguesias da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira













