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Colunistas

Mulheres de Hoje, Ontem e AmanhãPor Cláudia Russo
Barreiro

Não basta dizer que os dias têm importância porque lá atrás alguém ardeu pela causa.
Interessa perpetuar conscensiosamente a causa. Todos os dias.
Cuidar. Todos os dias.
Ontem, já foi. Amanhã não existe.
Só possuo o Hoje.

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Mulheres de Hoje, Ontem e Amanhã Por Cláudia Russo Barreiro

Por Jornal Rostos

Mulheres.
De todas as raças, de todas as cores, de todas as culturas.
De todas as ideologias e credos. Umas mais espirituais, outras mais cépticas. De cada canto do mundo, de uma bola sem cantos e, por isso de parte nenhuma.
De todos os dias e de dia nenhum!
Mulheres que passam despercebidas, no meio da multidão. Apenas reconhecidas dentro do seu meio, mais ou menos pequeno.
Mulheres extrovertidas. Sorridentes. Que olham e fazem-se olhar. Pelo que dizem e pelo que fazem. Pelo que sabem.
Suporte e alicerce de suas casas. Das suas famílias. Talhadas para fazer. Para cuidar. Para trabalhar e proteger.
Todas com a sua experiência fazem o Mundo andar. O seu mundo e o dos que as rodeiam.
Mulheres determinadas. Projectadas para Construir. Sem saber.
Importância nem sempre reconhecida. Papéis enormes e tarefas maiores ainda.
Mães, filhas, netas, irmãs.
São tudo, muitas vezes, em troca de quase nada.
Um beijo, um conforto, um abraço. Uma demonstração de afecto traz-lhes o sorriso ao rosto. Cansado. Reflexo de uma vida vivida. Experiência imposta, nem sempre A desejada.
Rostos cansados. Corpos gastos pela erosão dos tempos. Peles enrugada pelo sol. O sol que dá vida e agita as partículas.
E não seremos todos tão pequenos?!
Rostos orgulhosos muitas vezes. Tantas vezes. Orgulhosos da obra feita. Dos valores transmitidos.
Da perpetuação dos mais íntimos desejos.
Do amor. Da felicidade de ver feliz. De fazer feliz.
Ser mãe. Uma dávida. Um trabalho sem horário semanal. 365 dias sem folgar. 24 horas por dia. Uma vida. Duas vidas. A do filho também. Para sempre. Se a vida correr bem, será para sempre. Sem interrupções. Sem escapatória. De noite e de dia.
Ser filha/ser neta. Impõe-se o tempo de "retribuir", com gosto, com amor, o que que se recebeu ontem. Tanto quanto damos hoje. E esperamos receber amanhã. O amor incondicional.
Inevitavelmente esperamos. Esperamos corresponder ao que nos é solicitado. Às vezes imposto. Pela ordem dos dias. Pela ordem dos anos que passam sem avisar. Sem pedir licença.
Esperamos ser retribuidos e que, nos nossos momentos menos bons, sejamos merecedores do amor do outro. Daquele. Especial.
Ser irmã. Amor de igual para igual. Metade inteira e igual a nós. Porção da mesma massa. Afecto que corre nas veias. E se transforma a cada dia, em cada partilha. Lado a lado. Cumplicidade. Intimidade.
Tenhamos essa sorte. Nem sempre é assim.
Mulheres.
Feridas. Violentadas nos direitos.
No direito a ser iguais e diferentes. Iguais nas oportunidades. Diferentes na sua individualidade. Iguais a si mesmas.
Capazes de se proteger pois, são as primeiras responsáveis por si!
Violentadas nos valores. Abuso pela força. Pela mediocridade do pensamento antigo. Das sociedades patriarcais. Da mulher para servir. Da mulher consporcada.
Violentadas no corpo... Quase sempre empurradas para a "última oportunidade".
Na liberdade. Violentadas na sua liberdade de escolha. Por motivos sem escolha. Aleatórios.
Mulheres. Homens. Não se apresenta um menú.
Somos concebidos. Geneticamente determinados. No desconhecido. De uma amálgama. De divisões. Mitoses e meioses. Pela ordem correcta, talvez não esta. Tantas vezes quantas necessárias.
Ciência.
A vida não é uma ciência exacta. Precisa. Infalível. Certo.
Podemos escolher maltratar o outro. Ou cuidar. Enaltecer. Homenagear.
Não para festejar hoje e esquecer amanhã. Beber um copo e lembrar a história, que também é preciso.
Não basta dizer que os dias têm importância porque lá atrás alguém ardeu pela causa.
Interessa perpetuar conscensiosamente a causa. Todos os dias.
Cuidar. Todos os dias.
Ontem, já foi. Amanhã não existe.
Só possuo o Hoje.
Façamos acontecer.

Cláudia Russo
Psicóloga Clínica,
Autora do blogue Senso Divergente

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