Às PessoasPor Cláudia Russo
Barreiro
E... Ou seguimos o padrão observado, ou por outro lado, fugimos determinadamente, de forma mais ou menos consciente, desse padrão sentido como desajustado.

Por Jornal Rostos
Estamos na era da informação. Da tecnologia. Dos avanços tecnológicos em todas as frentes e áreas da sociedade.
Na era da ciência. Do conhecimento. Da teoria e da prática científica aplicada à vida comum.
Desde a medicina à agricultura.
Mas somos pessoas e, são as pessoas que criam e promovem tantos avanços, todos os dias, que nem conseguimos imaginar ou contabilizar.
São as pessoas.
Ora vejamos.
São as pessoas que educam. São as pessoas que opinam. São as pessoas que formam outras pessoas.
Fala-se de educação e de crianças.>
De como é difícil educar. De como é difícil ser pai/mãe. Ser educador. Ser professor.
E... Já parámos para pensar como é difícil ser criança???
Decidem, respondem e avançam sem a nossa permissão. Na maioria das vezes nem perguntam se queremos alguma coisa.
Pequenos fantoches na mão dos adultos que se apropriam destes pequenos seres.
Uns porque foi a tarefa mais nobre na sua vida. A que sentem como primordial. Outros, não tendo a oportunidade de tantas coisas na sua infância, querem vivê-la através da infância dos filhos.
Outros, pela nobreza e pelo status, chegaram à utopia de que são detentores das ferramentas e das estratégias ideais para educar ou ensinar os filhos dos outros, que culturalmente vêm assentes nas suas crenças e "sabedorias", entrando em confronto com as ditas formas de educar.
E aqui reside uma grande dificuldade. À entrada das salas de aprendizagem deixamos de ser a "Maria" ou o "João" e somos mais um/a.
Igual a tantos outros. Pessoas.
Nunca iguais.
Observam-se textos e crónicas e... Artigos teóricos e estudos sobre os mais diversos temas ligados à infância e à adolescência.
De como as crianças são problemáticas. Ou desenvolvem perturbações e nem sequer querem ir à escola.
São temas vulgares. Mais que debatidos. Quanto a mim... Falta-lhes o essencial.
O humanismo. A individualidade. A idiossincrasia.
Todos estes conceitos aliados às vicissitudes da vida.
Nunca poderemos pensar a infância como uma fase menor.
Não.
Falamos na mais importante etapa, sem lhe dar a devida importância. Teorias.
Em concordância, também não podemos esquecer que, como menores, as crianças não "mandam" e nem sequer aprendem sozinhas.
Aprendemos por imitação. Registamos na memória o que vemos, associado ao que ouvimos e à experiência do que sentimos.
Essa aprendizagem é ditada por quem "cuida" e quem "educa" cada uma das crianças que acusamos de ter este ou aquele comportamento desagradável ou indesejado.
É perante o que se vê e se ouve que se estrutura a personalidade de cada um de nós. Formamos a nossa identidade e a consciência do nosso ser à mercê do contexto.
E... Ou seguimos o padrão observado, ou por outro lado, fugimos determinadamente, de forma mais ou menos consciente, desse padrão sentido como desajustado.
Nas duas formas somos marcados e temos impressos uma série de comportamentos que nos foram "sugeridos" para as diferentes ocasiões a enfrentar.
Desta forma, a nossa maior ou menor resiliência. A nossa forma de fazer amigos. A ternura e o carinho que depositamos nos outros. Ou a agressividade que espelha a forma das relações significativas a que assistimos.
Mais calados ou mais extrovertidos. Podemos avaliar por aqui, aquilo que nos é ou não permitido ou incentivado em casa. Falar ou estar calados. Experimentar ou... Ficar quietos para que nada de mal aconteça.
Apego. Vinculação. Segurança e confiança. Auto-conceito e auto-estima. Amor próprio.
Simpatia, empatia e compaixão.
São estes os conceitos que marcam a infância e a construção da pessoa que somos.
Pois usemos o conhecimento que detemos para ser melhores. Mas... Sobretudo, melhores pessoas.
Avancemos com a ciência. Falemos e expliquemos a todos que a vida é só uma.
Que convém vivê-la esclarecidos. Desde crianças.
Falemos de temáticas difíceis e complexas com as palavras simples que a cada idade entendemos.
Não coloquemos a responsabilidade fora de nós.
Pensemos e ensinemos a pensar. Fora da caixa. Porque o sistema está ultrapassado.
Saibamos que além de um número, somos um indivíduo.
Uma pessoa. Mas...
Uma pessoa não nasce... Torna-se.
Cláudia Russo,
Psicóloga Clínica
Autora do blogue Senso Divergente













