Saltar para o conteúdo
Colunistas

CRITICAS E CRÓNICAS – «Um momento no cinema»Capitão Falcão, o primeiro super-herói fascista português
Por Diogo Coelho

Nunca se desviando do seu objectivo de satirizar o Estado Novo e a sua principal figura, o filme também dedica algum tempo a brincar com os cliches e as famosas regras do cinema português, ao mesmo tempo que nos oferece algumas das melhores coreografias de luta que já foram feitas em Portugal.

3 min de leitura
CRITICAS E CRÓNICAS – «Um momento no cinema» Capitão Falcão, o primeiro super-herói fascista português Por Diogo Coelho

Por Jornal Rostos

Esta crítica irá sofrer gravemente na sua coerência pelo simples facto de ser complicado, para mim, revelar outra coisa que não uma extrema alegria por este filme. Obrigado a todos os atores e técnicos que embarcaram nesta viagem complicada (como tudo é no cinema português) e que dedicaram anos de esforço e dedicação para trazer ao grande ecrã, em detrimento da televisão, o Capitão Falcão, o primeiro super-herói fascista português. Soa mal? Ainda bem. É ousado fazer pouco do Estado Novo e do periodo negro na nossa democracia? É e ainda bem que foi feito.
Este filme é exactamente o murro na cara, o pontapé no joelho e a cabeçada no nariz que o cinema em Portugal merecia receber. Trata-se de um filme que homenageia as bandas desenhadas de vários géneros e artistas, as séries de super-herois dos anos 60, o humor retorcido e repleto de pequenas subtilezas. Um filme que não pede desculpa por tudo o que mostra, pelas ideias extravagantes que decide trabalhar e pelos conceitos humoristicos deliciosos que farão rir até o mais sério português. Nunca se desviando do seu objectivo de satirizar o Estado Novo e a sua principal figura, o filme também dedica algum tempo a brincar com os cliches e as famosas regras do cinema português, ao mesmo tempo que nos oferece algumas das melhores coreografias de luta que já foram feitas em Portugal. É nessa dicotomia entre a paródia politica e social e a cuidadosa homenagem ao mundo da banda desenhada que está a força deste filme importante e marcante do nosso cinema nos últimos anos. Isso e Gonçalo Waddington, um ator fantástico que claramente se divertiu a interpretar o maior herói português e tal se traduz no filme de maneira vincada. Não me vou alongar mais na descrição do filme e antes pretendo lançar uma ideia gira e inovadora: Vão ver o filme. Sim, todos. Os miúdos, os mais adultos, os mais novos e os mais velhos. Vamos apoiar o cinema português, este cinema português. O que de melhor fazemos tem de ser visto, sempre. Além disso, e aqui fica uma nota para quem viu a cena depois dos créditos, todos nós queremos conhecer o vilão Flamingo. Bom filme!!

Diogo Coelho

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção