À sinceridade que se impõePor Cláudia Russo
Barreiro

Por Jornal Rostos
Nas minhas “notas” pessoais temo rever-me onde não me quero encontrar!
Receio ser aquilo que repudio, mas como não sê-lo se à nossa volta estamos cheios de mentira e de promessas de não sê-lo – cheios de mentirosos. Perdoem-me os mais susceptíveis.
Repetidamente, oiço advogar ideias e ideais que apenas se querem que assim sejam, para os outros.
Diria eu, “para inglês ver”. Livre-nos o inglês de vê-lo realmente. Porque se ele que está de passagem o fizer, nós que estamos todos os dias só não vemos se não quisermos.
Criou-se uma sociedade de adventos. De profecias. As concretizações são sempre complexas, “difíceis” demais. Estagnámos nas nossas impossibilidades internas. Na nossa fraqueza que responsabiliza o exterior em detrimento da minha própria responsabilidade nos acontecimentos.
Socialmente, de forma individual vêem-se apregoados os mais bonitos sentimentos e princípios. Da igualdade, das oportunidades que se deveriam dar e se deixam imiscuir num emaranhado de verbalizações vazias de sentido.
Porque a igualdade só é possível se for para todos, senão trata-se de uma qualquer outra coisa. Não nos transmitem os procedimentos para que possamos ser iguais na nossa diferença. Fala-se de igualdade, no fundo, para todos os que pertencem a um determinado grupo ou classe. No limite “nós” e os “outros”.
Reagimos. Não agimos.
Somos no fundo uma tribo actualizada. Diferenciada. Na escolaridade. Nos conceitos. Na função. Na moda. Usamos roupa e a internet, mas ainda não saímos da caverna.
Cada um olha para dentro de si e da “caverna” que o envolve.
Queremos uma igualdade impossível. A hipocrisia em muitos dos que a apregoam, à igualdade, está latente e patente.
Queremos igualdade, falando do nosso vestido “Chanel”??? Ou da viagem à Tailândia num voo low cost???
Do alto da nossa vaidade queremos igualdade. Apregoamo-la como se soubéssemos estar do outro lado… mas não! Disseminamos uma igualdade só nossa. Vista aos nossos olhos. Mas, e as prioridades?
Não sentimos a compaixão dos que se sentem maiores. Que do alto da sua suposta autoridade querem igualdade. Seremos então agentes de quê?
Os que detêm o poder e o conhecimento temem perdê-lo, por isso não partilham. E é este poder que os alimenta. Como pão para a boca.
Submetemo-nos a este poder por carência. Por necessidade. E os poderosos de qualquer tribo não vão abrir mão dele, perderiam a sua vantagem diferencial. O dinheiro e/ou o poder.
Portanto, que igualdade é esta?
Que hipocrisia este advento!
Respeitar os saberes e partilhar o que se sabe não torna ninguém mais fraco, apenas faz o “barco” remar na direcção certa. Na direcção possível e aquela que se tornará premente.
A direcção que encontraremos quando trabalharmos em conjunto, TODOS, com as nossas diferenças para que o amarelo e o verde coabitem, retirando partido do que estas cores, e toda a palete existente, têm para proporcionar.
A vida, completa.
Cláudia Russo – Psicóloga Clínica,
Autora do Blogue Senso Divergente













