A propósito de refugiadosPor Jorge Fagundes
Barreiro

Por Jornal Rostos
Esta manhã, como vai sendo habitual, o meu velho Amigo e Colega da Alfredo da Silva lá estava sentado numa das esplanadas junto ao Mercado 1º. de Maio, bebendo a sua bica e lendo um jornal diário.
Mas, dando pela minha passagem no local, chamou-me.
“Anda até aqui, vamos conversar um pouco”.
“Está bem! Vamos falar de quê ?”
“Ora, de um assunto que está na moda, o dos refugiados sírios e não só. O que achas disso?”
“Para te ser franco, acho que muito do que se passa nos está a ser ocultado, sabe-se lá com que intenções!”
“Achas isso?”
“Acho. Para já muito se fala dos refugiados sírios e pouco se fala dos muitos outros que atravessam o Mediterrâneo e que são oriundos de outros países, não só africanos, por sinal. Há pouco tempo li que havia dois nepaleses nesse conjunto!”
“Também li isso!”
“E segundo fonte insuspeita (o engº. Guterres, que bem deve saber do que fala) pagam quatro mil euros, por cabeça, por cada travessia!”
“Sim, também li isso, bem como outras referências aos sírios que entram na Europa pelos países do centro e que pagam dez mil euros, cada um, por isso!”
“Tens razão! Devem existir grandes negócios escondidos e que nos são ocultados!
Já agora, como bem o deves saber, Portugal foi em várias ocasiões, um ponto de refúgio ou de passagem para outros povos. Por exemplo, entre Julho e Agosto de 1940, devido à evacuação da população civil de Gibraltar, no Funchal foram acolhidos à volta de 2.500 gibraltinos, quase todos mulheres e crianças!”
“Boa, não sabia disso, mas como és madeirense!”
“Segundo testemunhos da época, foi de grande importância para o Funchal a vinda dessas pessoas. Ficaram instaladas em hotéis, pensões e casa particulares. E até deu casamentos com madeirenses!”
“”Estou a ver que sim!”
“E segundo me disseram foi uma lufada de ar fresco que entrou no conservador Funchal. Calcula que as gibraltinas usavam saias curtas, iam aos bailes e fumavam!!!”
“Interessante! Mas já agora quero referir-te outras grandes vindas de refugiados para Portugal”.
“Diz lá!”
“Quase nos fins do século XV os judeus foram expulsos de Espanha e milhares dele vieram refugiar-se em Portugal. Onde, por ordem do rei D. João II, tiveram de pagar dois escudos, por cabeça, para aqui permaneceram durante oito meses. Para os que não conseguiram sair (por alegada falta de navios para o efeito) o mesmo rei ordenou que fossem vendidos como escravos!! E, curiosamente, as crianças entre os os dois e os dez anos foram tiradas aos pais, batizadas e levadas para colonizar as ilhas de São Tomé e Príncipe, onde, aliás, ainda vivem muitos dos seus descendentes!”.
“ Certo!Por outro lado, durante o período da segunda grande guerra mundial, e mesmo já antes do seu começo, muitos estrangeiros, na maioria judeus, se refugiaram em Portugal, fugindo à pré-ocupação ou ocupação dos seus países pelas tropas alemãs.
Mais tarde, e já no período dessa guerra mundial foi Portugal o refúgio de muitos milhares de judeus, sempre com a intenção de irem para o Brasil ou para os Estados Unidos”.
“Tens razão! E neste atual êxodo de milhares de pessoas para a Europa, achas que a chamada primavera árabe tem algo a ver com isso?”
“Meu Amigo, isso é assunto para outra conversa, embora o nosso papel nesse caso deva ter ultrapassado o mero serviço de um cafezinho nos Açores! Um dia, futuros historiadores se encarregarão de esclarecer esse assunto. Possivelmente já não nas nossas vidas mas sim dos nossos netos!”
Jorge Fagundes













