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Quando as palavras… Não bastam!Por Cláudia Russo
Barreiro

Sou responsável por mim. Pelo meu desenvolvimento e mudança. Quando os meus valores estão desvirtuados, nunca poderei decidir em consciência.
Se não vejo com clareza, se não busco um nível superior de pensamento, então nunca sairei do meu esquema obsoleto e da mesma mesma”roda dentada” de sempre.

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Quando as palavras… Não bastam! Por Cláudia Russo Barreiro

Por Jornal Rostos

“Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”, já diz o ditado. A sabedoria popular. Tão certeira.
E como qualquer dito, provérbio ou afins, tem o seu fundamento na realidade vivida e sentida.
No nosso pequeno território, interno, apregoamos os mais diversos ditames, convencidos de que somos verdadeiramente apoiantes dos mesmos. E mais, convencidos que somos realmente praticantes de tais pensamentos e realidades, por vezes tão bonitas, tão imaculadas, mas tão distantes da essência que efectivamente possuímos. Do que realmente somos. Não do que temos. Esse é outro campeonato.
Tenho uma casa de luxo, um carro topo de gama. Uma conta bancária choruda. Um filho, dez casacos! cinquenta pares de sapatos.
E valores? Tenho?
Que valores?
Somos animais. E isto, já diz tudo.
Medo. Raiva. Repulsa. Tristeza e Alegria. Emoções básicas. Dos animais que somos. As emoções que moldam e transferem, deixando à vista, a razão do tudo ou nada que fazemos.
Animais. Racionais. Às vezes.
O medo de perder o controlo. O medo de não ser mais importante ou necessário.
A raiva dos que nos ultrapassam e, em vez de acompanhá-los, tentamos derrubá-los. Torná-los pequenos. Para que não apaguem a luz artificial que possuímos.
A tristeza de não conseguir. O amargo de boca.
Mas em cada atitude que promove essa pequenez, essa tentativa de anulação, é a mesquinhez interna e a mediocridade de cada um que se sobrepõe. Que, simplesmente, vem à tona, como quando tentamos misturar azeite e água.
Nem se vê. Não vimos. Não é imagem que fique no espelho. Mas as atitudes são a imagem mais real do nosso mundo interior. Do que nos define enquanto pessoa. Ou não. Alguns não são pessoas. Não são seres completos. Bem definidos. Mas antes, seres mal amados, sem carinho! Sem colo. Sem apego.
E, portanto, que não aprenderam a sua posição no mundo. Que não têm o Eu sujeito bem definido e construído perante todas as suas possilidades.
E cada comportamento é mais que suficiente para mostrar, para identificar, para rever uma essência desprezível. Atentemos nesse comportamento.
“País” justo, igualdade de oportunidades, blá, blá, blá.
Mas depois, “Dívida pública. Tem de ser!”.
A maior dívida pública é o bom senso. Os valores que deixaram de existir. Como o respeito. Ou a consideração.
Não há verdade nisto. As oportunidades podem ser iguais, mas o que cada um faz delas é o imperativo para salvaguardar a continuidade evolutiva e positiva das mesmas.
Não podemos querer a perpetuação do que não nos serve. Não podemos deixar para decisão alheia aquilo que a nós nos compete decidir. Discernir.
Nunca poderei anular o outro na esperança que não encontrem o meu erro. O meu erro será visível mesmo que o outro, ou o que faz, não exista.
Sou responsável por mim. Pelo meu desenvolvimento e mudança. Quando os meus valores estão desvirtuados, nunca poderei decidir em consciência.
Se não vejo com clareza, se não busco um nível superior de pensamento, então nunca sairei do meu esquema obsoleto e da mesma mesma”roda dentada” de sempre.
O sistema. Girando.
O sistema sou eu e, tu! O sistema é responsabilidade dos seus intervenientes. E, enquanto colocar uma ênfase maior no todo, nunca terei a consciência e a responsabilidade das partes. Porque o animal é esquecido.
E esquece-se que é parte do todo.
Só com o futuro nas mãos, com uma consciência maior, serei maior que eu mesmo.
Só definindo o meu sentido da vida serei suficientemente bom e, feliz!

Cláudia Russo,
Psicóloga Clínica e autora do blogue Senso Divergente

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