CRITICAS E CRÓNICAS – "Um momento no cinema"Sicario
Por Diogo Coelho
Barreiro

Por Jornal Rostos
Profetizar a chegada de um grande realizador é facilmente encarado como um erro crasso por dois motivos: o primeiro traduz-se no facto de o dito realizador poderá, ao longo da carreira, vir a comprovar o oposto que prometia (veja-se o caso de M.Night Shyamalan) e, em segundo caso, demonstrar que o realizador apenas "agora" se tornou um caso sério quando a carreira dele já se prolongava há anos com diversificados projectos.
No entanto, o que é a vida sem risco? Nessa ordem de ideias absolutamente desprovida de complexos, devo apenas referir que Dennis Villeneuve é possivelmente um dos melhores realizadores a trabalhar neste momento e um dos poucos com uma filmografia imaculada consagrada em 15 anos.
"Começou" com Incendies, uma pelicula nomeada para melhor filme estrangeiro mas foi com Prisoners que revelou todo o seu talento: um filme poderosissimo com um elenco de renome (Jake Gyllenhall e Hugh Jackman são particularmente incriveis) e uma fotografia que marcaria uma das melhores parcerias dos últimos anos na sétima arte com o Director de Fotografia Roger Deakins. Com Enemy, revelou aptência para a complexidade narrativa e elaborou um dos produtos mais desafiantes intelectualmente desde Shame (de Steve McQueen) mas foi com a mais recente estreia deste ano, Sicario, que finalmente garantiu uma maior audiência para os seus projectos. Sicario é, do ponto de vista narrativo, um filme simples. Uma história de vingança misturada com propósitos politicos dentro do contexto da luta contra o tráfico de droga e do poder dos carteis mexicanos. A história não é, de todo, o foco deste filme. O arsenal deste filme é o mesmo de sempre com Villeneuve: a fotografia extraordinária com detalhes de uma complexidade de execução notáveis; a banda sonora que de tão tensa que é leva o público a esmigalhar freneticamente os telefones ou os apoios das cadeiras na sala e as performances dos atores principais e mesmo dos menos importantes. Trata-se de um realizador que promove o visual, que incentiva o ator a procurar a personagem sem entrar nos lugares comuns, que permite-nos observar uma realidade sem lhe atribuir uma dose de açúcar fácil para nos levar a sentir bem com o mundo e com a situação em si. Ela é feia e nós temos de saber que é. Só assim poderemos pensar em resolvê-la.
Aconselho a todos o seu visionamento pois representa o verdadeiro motivo porque nos dirigimos ao cinema. Apenas e só.
Diogo Coelho













