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As lições da HistóriaPor Nuno Santa Clara
Barreiro

Pois bem, há quase um século atrás (no século do marxismo) levantaram-se grandes questões ideológicas. De certo modo, felizes tempos, em que se debatiam ideias, e não modelos de automóveis, comprimento de saias, cortes de cabelo, ou outras frivolidades.

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As lições da História Por Nuno Santa Clara Barreiro

Por Jornal Rostos

Não se trata aqui de dizer “no meu tempo…”. O que abaixo se descreve foi algo que se passou muito antes do meu tempo, mas, desde que foi inventada a escrita, nada melhor que pesquisar no Passado para ter orientações para o Presente e, melhor ainda, para o Futuro.
Certo é que, nos dias que correm, as lições da História valem tanto como um telemóvel da antiga geração (leia-se: de há poucos meses atrás), ou seja, nada.
Não importa. Há que remar contra a maré, sob pena de perder, por completo, as nossas referências.
Pois bem, há quase um século atrás (no século do marxismo) levantaram-se grandes questões ideológicas. De certo modo, felizes tempos, em que se debatiam ideias, e não modelos de automóveis, comprimento de saias, cortes de cabelo, ou outras frivolidades.
Uma delas era a postura dos comunistas perante o Mundo em geral, e a Europa em particular, em grande turbulência. Às sequelas da I Guerra Mundial sucederam-se. Entre outras coisas, a híper inflação em alguns países, a emergência de partidos ultra nacionalistas e revanchistas, e por fim a crise de 1929.
A tudo isto o movimento comunista procurou dar resposta. E uma delas foi a criação do Komintern, organização saída da III Internacional.
Ora, um dos países mais atingidos pela agitação social foi a Alemanha. Face à ascensão da extrema-direita, qual foi a reação dos defensores oficiais da esquerda?
Grigori Zinoviev, dirigente do Komintern em 1924, definiu o inimigo principal: era a social-democracia (antecessora dos atuais sociais democratas alemães). Alcunhada de social-fascista (onde é que já ouvi esta?), havia que a combater – e um dos aliados nessa cruzada poderiam ser os nacional-socialistas, mais conhecidos por nazis…
É certo que Zinoviev foi destituído desse cargo em 1926, e caiu em desgraça; mas, quando definiu essa doutrina, ninguém (oficialmente) a contestou…
E assim se viram algumas greves e ações de rua conjugando – vejam só! – nazis e comunistas…
Em 1932, Ernst Thälmann, secretário-geral do PC Alemão, declarava que “a nossa estratégia consiste em dirigir o principal ataque contra a social-democracia, sem com isto enfraquecer a luta contra o fascismo de Hitler”.
Uma questão de prioridades…
Em 1933, Hitler conquistou o poder, e um dos seus primeiros cuidados foi mandar os comunistas para a prisão (1.ª fase), para os campos de concentração (2.ª fase) e para os crematórios (3.ª fase).
Mas, ainda em 1934, o PC da Alemanha continuava a afirmar que a social-democracia era o apoio principal da burguesia…
Recorde-se que os resultados eleitorais do NSAPD (partido nazi) foram os seguintes:
- Setembro de 1930 – 18,3%;
- Julho de 1932 – 37,3%;
- Novembro de 1932 – 33,1%;
Março de 1933 – 43,9%.
Ou seja, nunca atingiu a maioria absoluta. Nem precisou…
Afinal, para que serve a História?

Nuno Santa Clara

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