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Vem do rebanho? Não pode entrar!Por Cláudia Russo
Barreiro

É necessário gerar o medo. Só os melhores, nesta escala, se vão “safar”. Não importa o que são e o que gostam. Os melhores.
E estes seres, “encarneirados” são os que, mais tarde, “papam” melhor os atentados, as reacções aos atentados. As coligações. Os impossíveis sociais. São os que, não pensando nada pela sua cabeça, têm opinião para tudo. A opinião do Seu rebanho. Aquele a que resolveram juntar-se.

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Vem do rebanho? Não pode entrar! Por Cláudia Russo Barreiro

Por Jornal Rostos

Pessoas! Pessoa. Cada uma, individual. Característica e singular. Sem igual. Sem projecto definido, a não ser, ir-se construindo.
Porque “Roma e Pavia não se fizeram num dia”.
Porque “o caminho faz-se caminhando”.
Nada é esperado, ou não deveria sê-lo. O campo deve estar aberto, num ambiente claro e livre, pautado por uma clarividência proporcionada, mas também procurada. Activa. Clarividência para que me possa desenvolver e fazer crescer saudável.
Nas hipóteses, nas escolhas, nas opções e nas decisões tomadas se vai trilhando o percurso de uma vida. Porque somos seres auto-determinados nunca seremos exactamente destinados a.
Sou Eu que busco o sentido da minha vida e mais ninguém. Eu, com as experiências vividas, como consequência das minhas escolhas, com os acontecimentos que me vão cercando pelo caminho.
Porque sou Eu que escolho. Eu decido.
E Eu decido ser o que eu quiser. Sem imposições. Com a aceitação que me é devida por todos e, que devo a Todos.
Assim seria o meu imaginário, de ser mais ou menos livre dentro desta “caixa” delimitada, mas com formas várias. Porque uma caixa pode ter várias formas. E… Abre-se. Deixa sair e entrar.
Mas não. Não é assim.
Um dia destes, um qualquer dos muitos em que vou “correr”, no passeio matinal, horário que escolhi (forçosamente por não ter outro em que possa fazê-lo), assisti a uma imagem, simples, que refuta tudo o que disse anteriormente.
Passo a contar-Vos. Olho e, num corredor de uma escola, que vislumbro do lado de fora do recinto, no meu percurso, observo o que me parece ser um “rebanho” (que me perdoem os mais sensíveis, mas não tenho ideia de ofender ou ferir susceptibilidades). Um rebanho igual nas “peles”, nas cores e no corte do pelo. No mesmo passo, pautado pela mesma velocidade e ritmo. Todos na mesma direcção. Tal e qual na vida.
Tal e qual o que lhes é pedido. Que sejam iguais. Entre si. Numa escala de 0 a 20.
Numa escala que serve apenas a alguns, que não Eles Próprios. Porque aquela escala só interessa a quem a criou, ou dela se serve.
Numa exigência atroz pela uniformidade de saberes, negligenciando Quem os sabe, ou os vai realmente saber.
E, depois, pensei. Aquele rebanho ia ouvir os seus “pastores”. Que lhes pedem que saibam o mesmo, o máximo, de uma série de disciplinas desinteressantes, para uma grande parte. Aquela parte que diverge. Os que pensam por si e têm sede de algo que não seja apenas uma água “choca”. Condenados.
Mas estes causam pouco interesse, ou não há tempo para atendê-los, porque há um programa, como nas festas!
E assim se passa o tempo. Atarefado o rebanho. Preocupado. Tem de fazer por ser igual, não dar problemas e não desorganizar o plano. Embuido no seu mundinho, pequeno, porque não se lhe mostra o campo todo. A erva não chega para todos, ou melhor, não chega A todos.
É necessário gerar o medo. Só os melhores, nesta escala, se vão “safar”. Não importa o que são e o que gostam. Os melhores.
E estes seres, “encarneirados” são os que, mais tarde, “papam” melhor os atentados, as reacções aos atentados. As coligações. Os impossíveis sociais. São os que, não pensando nada pela sua cabeça, têm opinião para tudo. A opinião do Seu rebanho. Aquele a que resolveram juntar-se.
Termina a singularidade. Acaba a clarividência e, volta sempre tudo ao mesmo. Dentro da caixa.
Porquê?
Porque só se faz parte quando se pertence ao rebanho. E a necessidade de nos juntarmos a outros seres humanos é imperativo.
Mas, fiquemos atentos. Este jogo não deveria decorrer no seio de uma competição. De matar ou morrer.
Devia, sim, ser um apelo à colaboração entre todos, porque todos os alguéns são diferentes entre si.
E nesta caixa… Se vem do rebanho, não pode entrar!

Cláudia Russo,
Psicóloga Clínica, autora do blogue Senso Divergente

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