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O Novo Governo, a Maioria de Esquerda- Ou Os Sapatos Novos
Por Manuela Fonseca
Barreiro

No dia da tomada de posse do novo governo (o do PS+CDU+BE) vou ‘passear à maioria de esquerda’, porque ‘os meus novos sapatos estão preparadinhos para uma caminhada longa (e difícil) que terá como meta o bem-estar numa terra, num país, num mundo mais belo’ que eu tanto amo.

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O Novo Governo, a Maioria de Esquerda - Ou Os Sapatos Novos Por Manuela Fonseca Barreiro

Por Jornal Rostos

Recebi, por um destes dias, através de via electrónica, a seguinte missiva de um bom companheiro:

“Querida amiga
Manuela Fonseca

Hoje deu-me para rebuscar alguns ‘papéis’ que tenho a mania de guardar, para mais tarde recordar.
Pois nesta rebusca caiu-me nas mãos o Jornal CDU/Barreiro, datado de Outubro 1993.
Na última página (4) n’As razões de um voto’, vejo-te nas palavras que escolheste para justificar o teu (meu) voto.
‘Iguais na dignidade’ e no sentir.
‘Voto CDU porque entendo ser esta coligação que mais me aproxima do meu sentir como cidadã, como ser político, dos meus ideais para levar por diante um Barreiro mais belo e mais fraterno, ou um Portugal mais belo e mais fraterno’.
Estas poderiam ser as minhas razões há 25 anos atrás, estas podem ser as minhas razões hoje.
Manuela, obrigada por me obrigares a reflectir.

Sabes, eu, Nuno Bernardo, ontem comprei uns sapatos novos.
No dia da tomada de posse do novo governo (o do PS+CDU+BE) vou ‘passear à maioria de esquerda’, porque ‘os meus novos sapatos estão preparadinhos para uma caminhada longa (e difícil) que terá como meta o bem-estar numa terra, num país, num mundo mais belo’ que eu tanto amo.

Obrigado, Manuela Fonseca
Um bem hajas e muita saúde.”

Respondi ao Nuno Soares, na lembrança da analogia dos sapatos novos, também focada, há quase quatro décadas, pela minha saudosa colega /amiga Deolinda Saraiva, em tempo de votação, que me referia ter adquirido calçado para a sua prole. Chegado o dia, ansiado, no momento de depositar o simbólico papel, o mais novo e único rapaz, João Nuno, lindo mocinho, disse, importante e com orgulho, junto à mesa eleitoral: “Trago uns sapatos que os meus pais me compraram para ir à Maioria de Esquerda!”
(Nunca mais me esqueci disto: devemos frequentar aquela com os pés bem protegidos; poderemos andar, até, na borda do passeio, como fazia, homem feito, o genial José Gomes Ferreira, sei lá se na esperança dessa maioria.)

“Muito obrigada, querido Nuno; bem hajas, também. Abalada pelas partidas da vida, entendo o mesmo - felizmente, posso continuar a ‘pensar/sentir’, palavras do Sousa Pereira em antiga revista da nossa Câmara Municipal - assim começou uma entrevista que me fez para tal publicação.

Como sabes, sou muito ‘vadia’ (roubo a palavra ao Jorge Silva Melo, num outro contexto, que também me parece adequada aqui) nas presidenciais (sempre pelo lado esquerdo, claro) e ainda não decidi quem escolho; talvez fosse, de novo, hora de unidade para ver se o jovem salazarista, hoje travestido de democrata não chega ‘lá’ na primeira volta.
A ver se ainda estreio uns sapatinhos...

Beijinho grande para ti e a tuas senhoras.

Manuela Fonseca

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