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Perdemos todos!Por Nuno Cavaco
Moita

Quando perdemos não há motivos para festejar e temos todos os motivos para trabalhar e lutar para fazer melhor. Por uma alternativa politica, patriótica e de esquerda há que convergir falando verdade.

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Perdemos todos! Por Nuno Cavaco Moita

Por Jornal Rostos

No dia 4 de Outubro de 2015 o nosso país mudou. António Costa assumia que o Partido Socialista não tinha conseguido os seus objetivos. A direita fazia a festa e planos de continuação da política seguida. Eis que surge o secretário-geral do Partido Comunista Português, Jerónimo de Sousa e diz que o PS só não formaria governo se não quisesse. Festejava o Bloco de Esquerda mais um bom resultado eleitoral e os comunistas trabalhavam para uma alternativa política quando ninguém esperava que o fizessem. Nesse dia, a esperança renasceu e o Partido Comunista Português comprou uma guerra com a comunicação social dominante e com os partidos da austeridade, que cedo se opuseram a esta ideia e que desde então não poupam esforços e recursos para a derrotar.

Foram semanas de afirmação de uma nova vontade, de um tempo novo. Partido Comunista Português, Partido Socialista e Bloco de Esquerda reuniram e chegaram a um acordo para a governação do país. Acordo de boa vontade e que ia ao encontro dos desejos da maioria dos portugueses e que simbolizava o fim da austeridade e do empobrecimento como projeto político.

Mas naquela noite o PCP e Jerónimo de Sousa foram marcados por terem aberto uma porta à democracia, por mostraram que jornalistas e comentadores, políticos de carreira e encartados, estavam a enganar as pessoas. Naquela noite e na prática os portugueses começaram a perceber que as eleições legislativas serviam para eleger deputados e não o primeiro-ministro e que o governo ou melhor, a constituição do governo, resulta diretamente da Assembleia da República.

Foram semanas de boicote, de profecias do fim de Portugal, ataques gratuitos ao PCP. O objetivo dos ataques consistia e consiste em alterar a dinâmica criada e voltar a mais do mesmo.

E eis que somos chamados novamente às urnas. Perante o quadro politico e os candidatos que foram a votos, poucos poderiam garantir apoio total ao novo caminho traçado. Justiça seja feita a três, a Sampaio da Nova, Marisa Matias e Edgar Silva, que assumiram claramente que se fossem eleitos presidentes cumpririam a Constituição da República portuguesa e que trabalhariam em conjunto com o governo e com a Assembleia da República para um tempo novo, de esperança e de inversão da política seguida pelos últimos governos. Estes candidatos anti austeridade assumiram a diferença com Marcelo Rebelo de Sousa, o candidato da continuidade, o candidato da direita.

Marcelo Rebelo de Sousa, um homem simpático e afável, um excelente comunicador e muito inteligente, mas que defende o caminho que até 4 de Outubro estava a ser seguido não é neutro e muito menos é ingénuo. Não vimos Marcelo ao lado do povo que luta, nunca o vi junto de quem lutava contra o encerramento de uma escola, de um centro de saúde ou de um hospital. Nunca vi o nosso Presidente eleito solidário com quem foi despedido ou com quem tem salários em atraso. Um Presidente eleito com classe e de classe, mas não da classe de todos os trabalhadores e operários.
No dia em que Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito Presidente da República e apesar dos sorrisos e dos festejos de Marisa Matias e do BE, que recorde-se, nas últimas eleições europeias e enquanto candidata pelo Bloco de Esquerda sofreu um enorme desaire eleitoral, o caminho para uma rutura com a politica de austeridade sofreu um desaire, pelo que não havia motivos para festejar. Apesar das críticas a Jerónimo de Sousa e ao PCP, apesar dos festejos da direita e do BE, perdemos todos, o candidato da direita e da austeridade ganhou.

Quando perdemos não há motivos para festejar e temos todos os motivos para trabalhar e lutar para fazer melhor. Por uma alternativa politica, patriótica e de esquerda há que convergir falando verdade.

Perdemos todos!

Nuno Cavaco
Militante do Partido Comunista Português
Membro da DORS do PCP

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