Caro Dr. Jorge Espírito SantoPor Manuela Fonseca
Barreiro

Por Jornal Rostos
Começo por contar-lhe uma situação de há poucas semanas: estava na Sala de Espera da Unidade Funcional de Oncologia do Centro Hospitalar Barreiro Montijo; de repente, deixei de sentir-me bem: sem nada dizer ao meu marido, dirigi-me a uma das instalações sanitárias. Uma senhora, funcionária de limpeza, a trabalhar perto, apercebeu-se da ocorrência, bateu à porta e ofereceu-me os seus préstimos.
Quando saí daquela divisão, já refeita, agradeci a gentileza da trabalhadora, atitude veementemente reiterada, e voltei para junto do meu companheiro - referi-lhe o que acabara de se passar; sublinhei o espírito de equipa da Unidade onde o bem-estar do doente é a pedra de toque de todos nela envolvidos.
Espírito de equipa que não surge por causa de uma fada com varinha mágica brilhante: leva tempo a construir, envolve todas as pessoas que operam, muitos saberes, formação, cooperação, disponibilidade, humanitarismo, solidariedade, elevado sentido ético. Que tenho experimentado e minoram o mal causado por uma terrível doença que bateu à minha porta e às de outros companheiros de situação.
Espírito de equipa, trabalho de grupo que, a par da medicação e do apoio dos mais chegados, é bálsamo que me / nos anima e empurra e, ou, deixa, sempre que possível, o mal a estrebuchar - o que o terrível assaltante merece.
Os dias mais aborrecidos (direi tristes) que tenho / teremos são evitados pelo vosso profissionalismo, em actividades desempenhadas com a proficiência que tanto nos ajuda.
Nesses momentos de maior revolta pela saúde roubada e, com ela, tantas coisas, nos quais penso e sinto (finjo que) sei lá o quê - não interessa -, acabo por visionar a “segunda casa”, acolhimento para os doentes, parede colocada entre a impaciência, o desespero e o ladrão: perderá o intruso a batalha, cobarde, contra mim / contra nós?
Sei, Dr. Jorge Espírito Santo que, na Unidade, não esperam agradecimentos, no entendimento do cumprimento de um dever. Mas têm grandeza de alma para o receber, horas e horas de trabalho, estudo cuidado de todos os casos, persistência em actividades, tão dignas e nobres, na busca da qualidade de vida em pessoas que a doença, cínica e maligna, espera abater.
Obrigada pela Chefia, durante tantos anos, da Unidade Funcional de Oncologia do nosso Hospital. Obrigada, também, a todos os que - médicos, enfermeiros, técnicos, assistentes técnicos, assistentes operacionais, auxiliares - o têm acompanhado em missão tão nobre e meritória.
Barreiro, 6 de Abril de 2016.
Manuela Fonseca













