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MiragensPor Jorge Fagundes
Barreiro

“Alto aí! Acabas de me fazer descobrir a palavra que te falta!”
“Sim? Qual é?”
“Ao referires as ilusões conjuntas que já comungamos em relação ao nosso Barreiro, a palavra em causa é miragens!”
“Miragens? Tens razão, encaixa perfeitamente! Mas porquê em relação ao Barreiro? Não estamos em nenhum deserto!”

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Miragens Por Jorge Fagundes Barreiro

Por Jornal Rostos

Nesta tarde de intermitências entre o fazer sol e o chover, o meu velho Amigo e Colega da Alfredo da Silva lá estava na sua esplanada preferida desta vez às voltas com o decifrar das palavras cruzadas do seu jornal.
“Olá, boa tarde!”
“Bolas! Nem dei pela tua chegada. Mas ainda bem que apareces. Estou aqui à procura de uma palavra para poder acabar as palavras cruzadas.”
“Então, qual é a palavra?”.
“Tem oito letras e corresponde, no plural, ao significado de ilusão!”
“Ora meu Amigo, ,ilusões é que não faltam por aí!”
“Pois não! E ao longo das nossas vidas quantas e quantas já não bateram à nossa porta? E como barreirenses apegados à sua terra muitas já tivemos em conjunto!”
“Alto aí! Acabas de me fazer descobrir a palavra que te falta!”
“Sim? Qual é?”
“Ao referires as ilusões conjuntas que já comungamos em relação ao nosso Barreiro, a palavra em causa é miragens!”
“Miragens? Tens razão, encaixa perfeitamente! Mas porquê em relação ao Barreiro? Não estamos em nenhum deserto!”
“Pois não, ainda que em tempos recentes um certo senhor, que até consta que foi Ministro, tenha apelidado a zona a sul do Tejo como um deserto!”
“Pois foi! Mas, em termos do Barreiro, a que miragens te queres referir?”
“Sem ser exaustivo, aí tens alguns exemplos bem recentes: a terceira travessia do Tejo, a cidade do cinema e o terminal de contentores!”
“Espera aí! O terminal de contentores será uma miragem?”
“Tudo parece caminhar nesse sentido. O mal foi ter sido colocado o carro à frente dos bois, causando (vá lá saber-se com que intenção) a falsa ideia de que já era um dado adquirido. E, na verdade, não era mesmo!”
“Parece-me que tens razão. Teremos que aguardar, mas já agora nunca me seduziu a vinda desse tal terminal. Se o terminal de contentores tem de sair de Lisboa para devolver a margem do rio aos lisboetas, porque é que a eventual margem ribeirinha a ocupar nesta banda não pode ser usufruída pelos barreirenses? Ou será que o rio só se chama Tejo na margem de Lisboa?”
“Meu caro, aí está uma pergunta pertinente! Mas ainda sem respostas convincentes! Porque as já adiantadas não convencem ninguém, a não ser os ingénuos em estado muito avançado!”

Jorge Fagundes

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