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SE ALGUMA VEZ O BARREIRO SE TIVESSE LICENCIADO, TERIA SIDO COM CERTEZA EM ENGENHARIA!Por Nuno Banza
Barreiro

É neste território que se encontra o Bairro dos Engenheiros, mas que não alberga nenhuma das ruas com nomes de engenheiros mundialmente conhecidos como Leibig, Lavoisier ou Berthelot – estes têm direito a nome de rua em bairros vizinhos. Era assim chamado este bairro, pois a sua construção teve como objetivo alojar os engenheiros que exerciam a sua atividade profissional na CUF.

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SE ALGUMA VEZ O BARREIRO SE TIVESSE LICENCIADO, TERIA SIDO COM CERTEZA EM ENGENHARIA! Por Nuno Banza Barreiro

Por Jornal Rostos

Numa casa de Engenheiros, dispensam-se certamente as introduções de conceitos e as resenhas históricas sobre as origens da engenharia, desde os faraós egípcios ou dos guerreiros romanos, às escolas de engenharia atuais, e por isso deixaria como desafio para confortar os oradores deste painel, uma ideia central – se o Barreiro (e em certa medida toda a área englobada no arco ribeirinho sul) se tivesse licenciado, teria com toda a certeza sido em Engenharia!
Para cada uma das etapas que definirmos na cronologia da evolução da Engenharia, encontraremos de forma surpreendente uma íntima ligação a este território.
Seja pela presença das estradas e construções romanas que ainda hoje assinalam a passagem desses “Engenheiros Militares”, seja pelos séculos de construções náuticas das caravelas que no rio Coina nasciam das mãos dos melhores “engenheiros navais” para conquistar o mundo, seja pela liderança isolada da Revolução Industrial na ibéria, saída das mãos de um Engenheiro Francês – Stinville – que durante quase todo o século XX marcou a sociedade, a economia e o ambiente deste território, seja pelo que ainda hoje representa a liderança tecnológica de nível mundial na investigação em ligas leves e fibras de carbono, protagonizada por uma empresa que herdou o ADN do Grupo CUF e que felizmente nenhuma “mutação genética” destruiu.
É neste território que se encontra o Bairro dos Engenheiros, mas que não alberga nenhuma das ruas com nomes de engenheiros mundialmente conhecidos como Leibig, Lavoisier ou Berthelot – estes têm direito a nome de rua em bairros vizinhos. Era assim chamado este bairro, pois a sua construção teve como objetivo alojar os engenheiros que exerciam a sua atividade profissional na CUF.
É também aqui que se situa a original Rua do Ácido Sulfúrico, próxima da Rua dos Superfosfatos e vizinha da Travessa da Glicerina e da Rua da Pirite. Não se conhece no país, e quiçá por esse mundo fora, outra qualquer localidade onde tais fórmulas químicas saídas das mãos de brilhantes engenheiros tenham tido tal honra.
Um território que acolheu sempre de forma tão honrosa o conhecimento científico e partilhou tão intimamente tudo o que de bom e de mau ele representou na evolução da sociedade portuguesa, merece que o futuro lhe reserve um lugar de destaque no esforço de integrar o que de melhor a engenharia pode dedicar a um projeto com um papel tão importante como tem hoje o Arco Ribeirinho Sul.
Vamos a isto, Senhores Engenheiros!

Nuno Banza

(texto introdutório da moderação do Painel “Arco Ribeirinho Sul: O Projeto de Engenharia”, por ocasião das III Jornadas de Engenharia Civil da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, do Instituto Politécnico de Setúbal, realizadas a 4 de maio de 2016)

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