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«Brexit»Por Manuela Fonseca
Barreiro

Viva a coragem do povo britânico! Fora com quem, no dia-a-dia, vai transformando a UE numa impossibilidade! Venham pessoas com honra e sabedoria para a levar aos caminhos da verdade que nos façam crescer, sem pressões antropófagas, e respeitarmo-nos mutuamente.

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«Brexit» Por Manuela Fonseca Barreiro

Por Jornal Rostos

Votação histórica num contexto histórico: quase trinta e três milhões de britânicos votaram no tão importante referendo que decidia a permanência ou a saída da Grã-Bretanha da União Europeia e a vitória, apertada mas nítida, surgiu para os defensores da saída; ontem à noite previa-se o contrário; de madrugada já havia certezas: a maioria dos britânicos não quer esta instituição gasta, maldosa, ameaçadora com os mais fracos, económica e financeiramente, afastada, há muito, de bases solidárias e de metas de desenvolvimento harmonioso dos países seus membros.
União que se tornou numa espécie de Adamastor da República da Irlanda e dos países do Sul, subserviente às ordens, insensíveis, broncas do FMI, Banco Central Europeu (está lá um dirigente português? Pois não parece), Ministro das Finanças da Alemanha.
(Des)União sem desígnios de desenvolvimento humano, social e pessoal, sem solidariedade com os refugiados de guerra, indiferente à criação de bem-estar, chamariz de movimentos de extrema-direita que aparecem em regiões, democráticas e cultas onde, até há pouco, seriam impensáveis.
Com um referendo anterior, feito há quatro décadas, para auscultar a opinião pública no sentido do actual, o Reino Unido não tem sido um parceiro fácil da comunidade, espírito altivo e independente que não admite batotas com os cidadãos das duas ilhas. Nem achincalhamentos em que a União tem sido pródiga, incluindo com eles.
A David Cameron, Primeiro-Ministro até há poucas horas, depois de se ter empenhado, como fez, pela manutenção do Reino Unido na União, não restava outra alterativa: pediu a demissão do cargo para o qual fora eleito confortavelmente.
Problemas sociais, laborais e políticos com que a Grã-Bretanha se debate, perante a indiferença dos tecnocratas de Bruxelas cuja linha financeira faz inenarráveis ziguezagues, traçada como objectivo principal (é preciso ser-se ignorante e pouco observador dos povos em relação aos quais têm responsabilidades acrescidas), anunciavam, há muito que a população britânica iria pronunciar-se acerca da saída de uma instituição esgotada, sem elevação nem dignidade.
E, sem preocupações com os seus membros onde uns são, indiscutível e vergonhosamente, “Filhos de um Deus Menor”, como nós, portugueses, ciosa de multas e castigos a Governos e populações como se os europeus, tivessem recuado na História (ou recuaram, de facto?), esgotados postos de trabalho, regalias, direitos dos trabalhadores, esperança e alegria, esta gentalha que, infeliz e actualmente, controla a União Europeia não se enxerga, como soe dizer-se, não pede a demissão em bloco para ser substituída por pessoas de elevados créditos, conhecedoras das necessidades actuais da União.
Viva a coragem do povo britânico! Fora com quem, no dia-a-dia, vai transformando a UE numa impossibilidade! Venham pessoas com honra e sabedoria para a levar aos caminhos da verdade que nos façam crescer, sem pressões antropófagas, e respeitarmo-nos mutuamente.

Manuela Fonseca

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