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MONTIJO,MONTIJO, MONTIJO...Por José Caria

A configuração deste(s) território(s) conferem-lhes realidades distintas em múltiplos aspetos de desenvolvimento. A zona Estuarina na parte ocidental do concelho é influenciada pelo Estuário do Tejo e a outra zona oriental é formada pela parte oriental do concelho, encontrando-se afastada do litoral. A primeira é claramente ribeirinha e urbana, tem uma relação direta com o rio e Lisboa e a segunda é nitidamente rural.

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MONTIJO,MONTIJO, MONTIJO... Por José Caria

Por Jornal Rostos

Montijo localiza-se na margem sul do rio Tejo, pertence ao distrito de Setúbal e integra a AML (Área Metropolitana de Lisboa), bem como a Região de Lisboa e Vale do Tejo (NUT II) e Sub-região da Península de Setúbal (NUT III). O concelho possui uma área total 348,4 km2, sendo constituído por 5 freguesias.
Este território apresenta uma geografia distinta dos demais concelhos, é descontínuo, possuindo, duas áreas geográficas que o compõem, Oeste/Ocidental e Este/Oriental do seguinte modo:

a) O território ocidental, com uma superfície de 56,7 km2 é margeado pelo Estuário do Tejo, numa extensão de 22,7 km e confina com os concelhos de Alcochete, Moita e Palmela. É um território constituído por 3 freguesias: União das Freguesias de Montijo e Afonsoeiro, União das Freguesias da Atalaia e do Alto Estanqueiro/Jardia e a Freguesia de Sarilhos Grandes.

b) O território oriental do concelho tem uma superfície de 291,6 km2, confina a norte pelos concelhos de Benavente, Coruche, Montemor-o-Novo, Vendas Novas e Palmela. Este território é constituído por 2 freguesias: Junta de Freguesia de Canha e União das Freguesias de Pegões.

A configuração deste(s) território(s) conferem-lhes realidades distintas em múltiplos aspetos de desenvolvimento. A zona Estuarina na parte ocidental do concelho é influenciada pelo Estuário do Tejo e a outra zona oriental é formada pela parte oriental do concelho, encontrando-se afastada do litoral. A primeira é claramente ribeirinha e urbana, tem uma relação direta com o rio e Lisboa e a segunda é nitidamente rural.
O território Oeste, devido à sua proximidade a Lisboa, apresenta uma dinâmica de crescimento urbano com as dinâmicas específicas que lhe estão associadas nas freguesias de Montijo, Afonsoeiro e Atalaia. Na parte sul, as freguesias de Sarilhos Grandes e do Alto Estanqueiro/Jardia mantêm uma extensa unidade territorial na categoria de uso agrícola. O território este é constituído por 3 freguesias, essencialmente dominadas pelo espaço rural, de uso agrícola e florestal.

Variáveis e indicadores tais como caraterísticas sociodemográficas, sóciofuncionais e socioeconómicas, podem ser das que melhor descrevem, não só as ocorrências sócioterritoriais, como as que permitem melhor entender as suas causalidades, nomeadamente em termos de dotação de capital humano, especialização ou orientação de tendências económicas, capacidade de mobilizar conhecimento e competências associadas, técnica para a eficiência económica e contributo para a qualidade de vida em todos os seus parâmetros.

Importa referir que a AML aumentou em 6%, entre os períodos censitários de 2001 e 2011, os seus efetivos populacionais, com disparidades internas assinaláveis. O maior crescimento foi registado por Mafra (41%), enquanto Lisboa foi o concelho que mais população perdeu (-3%). Lisboa e Sintra são os concelhos que maior número de pessoas alberga, representando em conjunto, 33% da AML e 9% do país.

No caso particular de Montijo, entre 2001-2011, os dados registados ostentam uma evolução positiva da população residente de 39.682 em 2001, aumentou para 51.777 residentes, traduzindo-se numa variação positiva de 23,4%.

A Ponte Vasco da Gama veio trazer ao Montijo uma dinâmica e um conjunto de acessibilidades, onde se pode acrescentar a A12 e A33, que colocaram o concelho numa posição privilegiada, tendo sido criadas condições para se constituir como um espaço estruturante da AML.

A evolução da população por grupos etários, entre 2001-2011,( em Montijo) anuncia um aumento da população jovem (0-14 anos), de 15,3% aumentou para 17,1% em 2011. O grupo etário dos (15-64 anos) e ao grupo dos idosos (+ de 65 anos), neste período de análise não houve alterações muito significativas.

Os territórios que compõem o município de MONTIJO cresceram a ritmo diferente, entre 2001 e 2011. O território ocidental aumentou em cerca de 35%, tendo esse resultado sido obtido pelo aumento populacional registado por três freguesias em particular: Afonsoeiro (103,7%), Atalaia (70,6%) e Montijo (30,5%). No território oriental, o crescimento foi menos
pronunciado, destacando-se a freguesia de Pegões (12,8%) existindo mesmo um exemplo de redução, em Canha onde a população reduziu cerca de -11,4%.

No índice de envelhecimento do concelho do Montijo é possível constatar uma ligeira diminuição, entre 2001-2011, o índice diminui de 113,6 para 96,5 em 2011. É ainda de salientar os municípios da Península de Setúbal, que evidenciam maior índice de envelhecimento, em 2011, são: Barreiro (151,6), Almada (139,6) e Setúbal (112,0). Porém, o índice de envelhecimento do concelho encontra-se abaixo dos valores registados a nível nacional (127,8) e sub-regional - Península de Setúbal (113,2).

Quanto ao nível de instrução da população residente no concelho do Montijo segundo os dados referentes ao ano de 2001, é possível constatar-se que o nível de instrução dominante no concelho era o 1º Ciclo do Ensino Básico representado por 28,2% da população, seguindo-se a população sem qualquer nível de escolaridade representada por 20,1% da população. Em 2011, é de salientar a diminuição da população sem qualquer nível de escolaridade para 9,7% ; no entanto, continua a prevalecer a população residente com o 1º ciclo do Ensino Básico com 23,0%, seguindo-se o 3º ciclo do ensino básico representado por 20,3%. No caso do ensino superior é de apontar um aumento bastante expressivo, de 6,1% registado em 2001, aumentou para 14,9% em 2011.
Quanto, à taxa de analfabetismo era em 2011 de 5,2%, esse valor foi em 2001 de 11,4% .
A taxa de desemprego registada em 2001 era de 8,6%, próxima dos restantes concelhos da Península de Setúbal, porém, esta sofre uma evolução bastante significativa ao atingir os 13, 2% em 2011.

Na distribuição da população ativa pelos vários setores de atividade económica no Concelho de Montijo , no ano de 2001 os dados do INE, demonstram que o setor predominante no concelho é o terciário, registando 59,5% dos indivíduos, seguindo-se o setor secundário com 32,3% e por fim, o setor primário com 8,1 % dos indivíduos. No Montijo, o setor primário associa-se em grosso modo, ao caráter agrícola de algumas freguesias, designadamente as que se localizam a este, onde predomina a produção vinícola. Enquanto, o setor secundário demarca-se pela indústria transformadora, sendo as maiores representantes as indústrias metalúrgicas, de madeira e cortiça e do ramo alimentar. Embora, os resultados obtidos no ano 2011 assumam a mesma tendência dos resultados anteriores, nota-se uma diminuição da população ativa pelos vários setores de atividade, traduzindo-se pelos seguintes resultados: o setor primário baixa para os 4,9%, o secundário para os 19,9% e o terciário para os 59,6%.

Em matéria de acessibilidade, o concelho do Montijo encontra-se em situação privilegiada em termos de centralidade rodoviária, dada a proximidade da cidade de Lisboa. Porém, é de salientar as dificuldades sentidas a nível das acessibilidades em território intraconcelhio, sobretudo de ligação entre as freguesias da zona Este e Oeste.

Como pontos fortes MONTIJO apresenta boas acessibilidades intermunicipais; relação de proximidade da população com o Rio Tejo; atividade piscatória no estuário do Tejo;
reduzida taxa de analfabetismo e significativa presença de população com ensino médio; proximidade a Lisboa como um atrativo para o investimento empresarial; aumento efetivo da população residente no município; população jovem superior à população idosa; taxa de natalidade superior a todos os municípios da Região de Lisboa e da Península de Setúbal; percentagem de pessoas empregadas no sector de atividade primário superior à média nacional; crescente preocupação pela redução das emissões de Co2, pelo aumento da eficiência energética e utilização de fontes de energia renováveis; património natural e paisagístico diversificado turisticamente.

(2016)José Caria

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