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Quem está a seguir?Por Jorge Fagundes
Barreiro

E, em termos de Barreiro não cufista, mas igualmente tão importante como o foi a área ferroviária, vai continuar a destruir-se todo esse património?
E a obra prima de Miguel Pais, a estação fluvial do Barreiro, vai permanecer ao abandono e à espera de que, daqui a alguns, bem poucos, anos, só existir em postais ilustrados da época?

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Quem está a seguir? Por Jorge Fagundes Barreiro

Por Jornal Rostos

Há muitos, muitos anos, existiu um sistema de racionamento de alguns géneros alimentícios essenciais, designadamente o açúcar, o arroz e o pão.
Quando, em Fevereiro de 1946, vim viver para o Barreiro, lembro-me das senhas de racionamento serem distribuídas, na Câmara, pelo senhor Joaquim Simplício.
Assim , ao agregado familiar de meu Pai, constituído por três pessoas, eram atribuídas, mensalmente, correspondendo a cada senha um quilo do género a que respeitava, três para o açúcar e três para o arroz.
Quanto ao pão, julgo que a ração diária seria de dois papo-secos por cabeça.
Mas, volta não volta, havia escassez de batatas e de bacalhau, formando-se então, grandes bichas (nesse tempo filas só as indianas!!!)à porta das mercearias que tinham esses alimentos à venda.
Para evitar atropelos, por parte de alguns “chicos espertos”, à porta das lojas costumavam estar um dos seus empregados, que, após a saída de um cliente, perguntava: quem está a seguir?
Ora, esta recordação do meu passado de barreirense (nascido na Ponta do Sol), surgiu a propósito da próxima destruição do Posto Médico da CUF, bem como de outros antigos edifícios que foram daquela Empresa.
O que irá constituir, mesmo não sendo essa a opinião dominante (???) e perante a apatia autárquica e dos Partidos Políticos representativos do Barreiro, um verdadeiro atentado contra o património industrial deste município.
E a classificação, como incapazes ou incompetentes, de quantos dos nossos Arquitetos seriam bem capazes de enquadrar esses edifícios na chamada teoria, agora tão em voga, da requalificação.
Por isso a pergunta: quem está a seguir?
A antiga Sede do Grupo Desportivo da CUF? O mausoléu de Alfredo da Silva? O monumento comemorativo dos 100 anos da CUF?
E, em termos de Barreiro não cufista, mas igualmente tão importante como o foi a área ferroviária, vai continuar a destruir-se todo esse património?
E a obra prima de Miguel Pais, a estação fluvial do Barreiro, vai permanecer ao abandono e à espera de que, daqui a alguns, bem poucos, anos, só existir em postais ilustrados da época?

Jorge Fagundes

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