ENTORSESPor José Caria
Montijo

Por Jornal Rostos
A realidade do tribalismo está aí, para o melhor e para o pior.Talvez seja necessário saber viver com este paradoxo. Não sei. Ainda há muito que pensar sobre isto.
Trocar a tranquila certeza de teorias e praxis estabelecidas pela agitação do mar alto, é sempre difícil, reconheço. Do mesmo modo escavar para ir ás raízes, exige esforço, posso testemunhar.
Trata-se, no entanto, de esforço mental que, sem julgamento a priori,sem espírito preconcebido, pode permitir ver dentro de alguns mimetismos e pantomimas tribais, de alguns deslizamentos de identidades estáveis para identificações/ocasiões , "maneiras" diversas, porventura desviantes, de viver a relação com a alteridade, com todos os Cidadãos.
Coexistem aspectos ao mesmo tempo “arcaicos” e juvenis de tribalismo e , em simultâneo, dimensões vizinhas e comunitárias e uma espécie de saturação do conceito do indivíduo e da lógica da identidade.
Lembremos, sem concordância integral, Le Play: “As sociedades (...) ficam (...) submissas a uma invasão de ‘pequenos bárbaros’ que trazem sem cessar todos os maus instintos da natureza humana".
Alguns "tribalistas" teem, algumas vezes, tendência para assumir o seu grupo ideológico como bom e justo e que os membros de outros grupos são maus, estúpidos e injustos.
Pessoalidade parcimoniosa,legalidade,proporcionalidade, eficiência , bem como competência e objetividade podem ajudar-nos a melhor reflectir; Os "exercícios de autoridades" devem inspirar-se no respeito pela dignidade humana e pelos valores de cada pessoa.
Respeito ( no bom sentido do termo), solidariedade e cortesia nas relações com os cidadãos não nos causam maleitas,antes pelo contrário ajudam-nos a tentarmos melhorar-nos ! .
Participação, cordialidade e respeito pela diversidade não estigmatizam ninguèm, antes reforçam pertenças, vizinhanças, comunidades.
Rainer Maria Rilke , nos "Sonnets à Orphée", disse-nos, com rara qualidade literária, “Com mais arte torceria os galhos dos salgueiros aquele que dos salgueiros tivesse conhecido as raízes” .
Às vezes, algumas vezes, como indicou Jason Brennan , interrogamo-nos : "o (...) compromisso com a (...) equipa pode sobrepor-se ao (...) compromisso com a verdade (...)" ? .
O fanatismo tribal não significa lucidez de "leader", muito menos racionalidade de equipa.
O tribalismo é algo que tem de ser controlado para diminuir a violência .
Violência física, violência social, violência emocional, violência verbal e escrita .
Entorses, se me permitem !...
José Caria













