Lei de LavoisierPor Nuno Santa Clara
Barreiro
Não parece ter mudado nada, tal como nada parece ter acontecido dentro de uma embalagem de iogurte na passagem do dia 15 para 16 de Setembro, por ter acabado o prazo de validade.

Por Jornal Rostos
Antoine Laurent Lavoisier é considerado o pai da química moderna. Nascido em 1743 em Paris, desenvolveu a sua atividade científica até à sua morte, em 1784. A ele se devem, entre outras coisas, a descoberta do oxigénio (o “gerador de óxidos”), e a formulação do que ficou conhecido como a Lei de Lavoisier, que toda a gente conhece, e que pode resumir-se assim: “na Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.
Deste modo se abriu caminho para outros voos no conhecimento científico.
A sua morte é um exemplo da estupidez humana. Tendo ele exercido, por obrigação de nascimento, funções na cobrança de impostos no tempo da monarquia francesa, foi por isso declarado “suspeito”, julgado sumariamente e guilhotinado.
Segundo rezam as crónicas, quando do seu julgamento, um dos elementos da Assembleia alegou que se tratava de um sábio; em resposta, foi-lhe dito que “a Revolução não precisa de sábios”…
Sobre este caso, comentou o matemático Lagrange: “não basta um século para produzir uma cabeça igual à que se fez cair num segundo”.
Tudo se transforma, portanto. Tal como escreveu Camões, dois séculos antes:
“Todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades”.
Tivemos agora uma (parece que) importante mudança: uma agência de rating tirou Portugal do lixo.
Não parece ter mudado nada, tal como nada parece ter acontecido dentro de uma embalagem de iogurte na passagem do dia 15 para 16 de Setembro, por ter acabado o prazo de validade.
Mas dadas as declarações públicas sobre o assunto que surgiram por todo o lado, com os habituais pontos de vista diametralmente opostos, o caso merece reflexão.
E aí devemos relembrar Lavoisier.
Pois se éramos lixo, e deixámos de ser lixo, alguém ou alguma coisa se transformou em lixo. Assim se manteve o equilíbrio universal.
É questão de procurar quem, ou o quê.
Nuno Santa Clara













