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Colunistas

No final da autoestrada, no final da linha do comboioPor Nuno Miguel Fialho Cavaco
Moita

A maior parte dos territórios do concelho da Moita e do Barreiro foram sendo colocados em situação periférica por opções políticas. A Baixa da Banheira, o Vale da Amoreira e a cidade do Barreiro encontram-se no final da autoestrada e no final da linha do comboio. Por outras palavras, só cá vem quem tem de vir!

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No final da autoestrada, no final da linha do comboio Por Nuno Miguel Fialho Cavaco Moita

Por Jornal Rostos

Neste contexto as autarquias, os agentes culturais e desportivos, os agentes económicos, têm-se esforçado para atrair pessoas e investimentos. Um esforço notável que até tem dado frutos. Num contexto como o atual, onde a informação é determinante mas onde a localização é ainda factor decisivo, as iniciativas e acções que se realizam nestes territórios, obrigam aos seus promotores um esforço muito maior do que outros promotores e em outros locais mais centrais têm de fazer.

A questão é simples, o que aqui produzimos torna-se mais caro e menos acessível à escala da região de Lisboa e do país.
Esta situação aliada à desindustrialização que se fez sentir a partir dos anos 80 e 90, com a perda de população e de dinamismo económico e social, explicam em grande medida algumas das consequências sentidas nestes territórios.

Há anos que as autarquias do distrito de Setúbal e alguns partidos políticos, de entre os quais com destaque o PCP porque se mantém coerente ao longo do tempo e com uma visão integrada, de cariz regional e nacional, exigem uma política de desenvolvimento regional que contrarie os efeitos nocivos quer da situação periférica, quer da desindustrialização sentida. A estratégia regional definida e por várias vezes apresentada, construída por agentes políticos, económicos, culturais e desportivos, colocava como questão central a falta de investimento e o combate à situação periférica. Desde há muito que se defende uma terceira travessia do Tejo, Barreiro – Lisboa, com as componentes ferroviárias e rodoviárias, permitindo assim uma ligação norte-sul na ferroviávia, com ligação a outros projectos estruturantes como a plataforma logística do Poceirão que iria permitir criar ligações entre os Portos do nosso país e as infraestruturas rodoviárias. Para além da ponte, foi proposto e estudado a construção de um aeroporto de dimensão ibérica, a construir no Campo de Tiro e a necessária e urgente ligação do Metro Sul do Tejo a Alcochete, passando pelo Barreiro, Moita e Montijo. Há anos que se ouvem argumentos relacionados com a falta de dinheiro para explicar a não execução destes projectos, o que é desmentido com a execução de outros projectos e com o assumir de dividas e de obrigações de terceiros, por parte do estado, como disso são exemplos as intervenções na banca e mais recentemente com as obras de manutenção da Ponte 25 de Abril. Ou seja, sempre há dinheiro …

A serem concretizados, estes investimentos, articulados entre si, permitiriam reduzir custos de transporte de pessoa e bens e colocar a nossa região no centro do país. Passaríamos de uma situação periférica para central, do fim da autoestrada e do caminho de ferro para o meio, aproximando empresas de clientes, reduzindo custos, potenciando o que existe. O aeroporto internacional, a plataforma logística na região e a funcionar em pleno permitiria atrair os nossos vizinhos espanhóis para os nossos territórios, ficando estes mais perto do que de Madrid ou Barcelona.

Do que se trata não é de bairrismo e sim de necessidade e interesse nacional- Trata-se de investir com retorno, tornando tudo melhor. De investir para dar condições para novos investimentos.
O país merece e nós também.

Nuno Miguel Fialho Cavaco
Presidente da Junta de Freguesia da União de Freguesias da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira

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