O povo é sereno!Por Jorge Fagundes
Barrreiro

Por Jornal Rostos
Nos tempos que vão correndo existem dois assuntos que muito respeitam ao Barreiro: o terminal de contentores e o aeroporto de recurso na base aérea do Montijo.
Quer um, quer outro, no caso de se tornarem realidade irão ter reflexos, salvo melhor opinião, mais negativos do que positivos na vida dos barreirenses.
Quanto ao dito terminal de contentores, depois de chumbada a primeira versão que nos deixava a ver navios em vez da melhor vista que existe sobre a cidade de Lisboa, a mais recente novidade consiste, segundo o disse a Senhora Ministra do Mar na Assembleia da República, e que vem referido na imprensa, em “deslocar um pouco mais para montante o terminal e ter uma ligeira rotação para não ser impactante na área nova e urbana do Barreiro”.
E, acrescentou a Senhora Ministra, este projecto surge agora com “uma nova configuração física e algumas alterações relativamente à sua operacionalidade” as quais consistirão no facto “de passar a ser multiusos, tanto para contentores, como para granéis sólidos e até para automóveis”.
Para o efeito este novo projecto de contentores, e não só, será submetido até ao verão a nova avaliação ambiental.
Como é bem sabido, no território da antiga CUF já existe, desde há longos anos, um porto para granéis sólidos e creio que também líquidos, que regista uma assinalável actividade principalmente de navios que transportam sucata para a siderurgia de Paio Pires.
Como também é bem sabido, embora muita boa gente assobie para o ar, o porto de Setúbal reúne todas as condições, e certamente melhores, do que o ainda projectado, agora multiusos, do Barreiro. E Setúbal já o disse!!
E transferir para lá o que os lisboetas e os almadenses não querem, irá constituir um gasto desnecessário, mas... estando o porto de Setúbal concessionado não irá dar nenhum lucro aos denominados investidores, ao contrário do Barreiro.
Ou seja: uma vez mais os interesses económicos a sobrepor-se aos interesses dos cidadãos.
Ainda que o digam, sem qualquer previsão quantitativa, de que o porto do Barreiro vai dar origem à criação de novos postos de trabalho, uma coisa, porém, será certa: vamos ter as nossas vias rodoviárias a ser utilizadas, diariamente, por centenas de camiões pesados. Naquela parte que a Senhora Ministra designou como “área nova e urbana do Barreiro”!
Em relação ao aeroporto de recurso na actual base aérea do Montijo, a concretizar.se contra todas as opiniões contrárias de quem do assunto percebe, lá vai o Barreiro, e não só, a ser afectado pelo constante sobrevoo, a baixa altitude, dos aviões para e do novo aeroporto.
Além dos riscos provenientes de um eventual acidente devido ao sobrevoo de áreas sensíveis.
Curiosamente, os Barreirenses, além de outros, parecem, na generalidade, alheios a estes supra mencionados assuntos.
Assim sendo, estão a dar razão ao que, em tempos e noutras circunstâncias, o Almirante Pinheiro de Azevedo afirmou: o povo é sereno!!
Jorge Fagundes













