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As vozes que clamam no desertoPor Jorge Fagundes
Barreiro

E sendo, como o afirmou, um deserto habitado por algumas centenas de beduínos, pastores de camelos, o ver passar tantos aviões a cada hora do dia. e da noite, será motivo de diversão a quebrar a monotonia do tempo que passa.

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As vozes que clamam no deserto Por Jorge Fagundes Barreiro

Por Jornal Rostos

Segundo veio publicado nos nossos órgãos de informação, foi já entregue ao Governo o denominado Estudo do Impacte Ambiental respeitante ao futuro (?) aeroporto do Montijo, estudo esse que considera pouco significativa a grande maioria dos impactos (???).

A Associação ambientalista ZERO veio, de imediato, defender que a escolha de localização do novo aeroporto deve ser sujeita a uma Análise Ambiental Estratégica, e admitiu pedir a intervenção da Comissão Europeia bem como o recurso à Justiça Portuguesa.

“Apesar de ser expectável que o promotor considere que a localização á viável, a Zero tem sérias dúvidas relativamente aos impactes do ruído sobre as populações, conservação da natureza face à proximidade do estuário do Tejo, bem como os riscos para as aeronaves”.

Esta opinião da Zero, além de outras mais diversificadas, tem sido defendida por um largo conjunto de pessoas que bem sabem da poda, mas, contra tudo e contra todos, persiste a teimosia de quem sobrepõe os interesses económicos a tudo o que os contrarie.

E, vá lá saber-se porquê, até parecer ser sustentada esta obstinação nas palavras de um senhor que consta ter sido Ministro e que afirmou que esta zona a sul do Tejo era “um deserto”.
E sendo, como o afirmou, um deserto habitado por algumas centenas de beduínos, pastores de camelos, o ver passar tantos aviões a cada hora do dia. e da noite, será motivo de diversão a quebrar a monotonia do tempo que passa.

E como, comprovadamente, os camelos não voam, nunca um deles irá bater num dos aviões , quer ao levantar, quer ao aterrar dos mesmos.
E quanto às vozes discordantes, deverá haver nesse tal de estudo favorável ao aeroporto. em letras bem pequeninas, um parágrafo único a dizer: podem falar à vontade porque não passam de vozes que clamam no deserto!

Jorge Fagundes

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