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A menina do chapelinho vermelho (conto)Por Jorge Fagundes
Barreiro

“Joana, este é o senhor Manuel Lobo, que conheci, há semanas, no baile do Leças. É viúvo e dança muito bem. E hoje convidei-o para vir lanchar aqui a casa. O bolo vai dar muito jeito para acompanhar um chazinho”.
“Muito prazer, senhor Lobo (e em pensamento, o cota é charmoso!).

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A menina do chapelinho vermelho (conto) Por Jorge Fagundes Barreiro

Por Jornal Rostos

Joana, jovem de 14 anos, muito bonita, reside na zona da Recosta e sua avó, Albertina, viúva sessentona, mora num primeiro andar, com varanda para a rua, no Alto do Seixalinho.

No passado sábado, Margarida, mãe de Joana e filha de Albertina, fez um bolo (deve dizer-se que é uma verdadeira especialista na arte doceira), embrulhou-o cuidadosamente e disse a Joana para ir a casa da avó leva-lo.
Joana vestiu umas calças de ganga convenientemente rasgadas, como é moda, colocou um chapelinho vermelho que lhe ficou a matar na sua cabeleira loura, apanhou o autocarro e lá se dirigiu a casa da avó.

Como a paragem do autocarro fica mesmo em frente verificou, ao sair, que a avó estava na varanda na companhia de um senhor desconhecido para ela.
A avó abriu a porta, deu-lhe os beijinhos da praxe próprias das avós, colocou o embrulho com o bolo na mesa da cozinha e foi para a varanda onde apresentou o tal senhor a Joana.
“Joana, este é o senhor Manuel Lobo, que conheci, há semanas, no baile do Leças. É viúvo e dança muito bem. E hoje convidei-o para vir lanchar aqui a casa. O bolo vai dar muito jeito para acompanhar um chazinho”.
“Muito prazer, senhor Lobo (e em pensamento, o cota é charmoso!).

Conversaram um pouco, o trivial nestas ocasiões, o senhor Lobo quis tirar uma foto com a Joana e esta, necessitando de ir à casa de banho, deu conta que, no quarto da avó, ao lado das pantufas dela, estava um par de chinelos de homem.
E pensou: “olha, olha, este Lobo nem se parece nada com o tal da história. Ou seja: comer a avó, come, mas de outra maneira!!!).
E, desejosa de chegar a casa para contar a novidade aos pais, despediu-se da avó e do senhor Lobo e, após uma ligeira corrida apanhou o autocarro.

Jorge Fagundes

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