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O Nobel de Al GorePor Nuno Miguel Fialho Cavaco

A inquisição científica não se pode estabelecer, para bem da ciência que sempre evoluiu por discussão, fruto de ideias revolucionárias que só a muito custo foram aceites, pagando alguns cientistas com a própria vida. Os consensos impostos na ciência sempre levaram a atrasos na aceitação das descobertas.

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O Nobel de Al Gore Por Nuno Miguel Fialho Cavaco

Por Jornal Rostos

Quando Alfred Nobel manifestou que o prémio da paz deveria ser atribuído “…à pessoa que tivesse feito o maior e melhor trabalho em prol da fraternidade entre as nações, para a abolição ou redução dos exércitos e a promoção da paz.”, não esperava que este fosse um dia entregue a alguém que fomentou a guerra. Falo de Al Gore.
Al Gore foi Vice-presidente da Administração Clinton desde Janeiro de 1993 até Janeiro de 2001 e por isso é responsável pelos bombardeamentos com armas radioactivas na guerra da Jugoslávia e na Somália pelo menos, para não falar de outras incursões e intervenções de tropas americanas.

Um dos episódios mais caricatos ocorreu a 18 de Outubro de 1996, quando um avião norte-americano foi encontrado a fumigar na província Cubana de Matanzas, ao que se seguiu uma praga de insectos que nunca se haviam encontrado naquela ilha, os quais devoraram plantações agrícolas. Este facto foi considerado um acto de guerra biológica e foi denunciado perante a Organização das Nações Unidas.
Com este curriculum impressionante Al Gore foi recentemente agraciado com o Nobel da Paz, não porque se enquadre nos requisitos especificados por Nobel mas sim pelo seu trabalho no que respeita ao clima, e mais precisamente ao suposto “aquecimento global”, o que faz de cada um de nós um potencial Nobel em áreas tão díspares como a Física e a Economia.

Partilha este prémio com Al Gore o IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), pelos mesmos motivos mas com uma curiosidade ainda maior, o IPCC é composto por pessoas designadas pelos governos representantes do G7 (o grupo dos 7 países mais fortes economicamente) e por isso defendem os interesses de quem representam. Não são raros os casos de cientistas saneados por irem contra as ideias lançadas pelo IPCC. Um dos casos é o de Carlos Molion, especialista em Meteorologia Brasileiro que considera que o planeta Terra se encontra numa fase de arrefecimento, contrariamente à opinião de Gore e do IPCC, e por isso viu reduzidos os apoios ao seu trabalho.
Em ciência está hoje na ordem do dia o debate sobre o direito dos cientistas de pensarem de forma diferente, sem que sejam penalizados, quer por falta de trabalho, quer por falta de financiamento para os estudos. No que respeita ao aquecimento global os que contestam a gravidade do problema ou a certeza das soluções propostas são vistos como lacaios da industria, ou como motivo de escárnio, e para bem da democracia isto tem de acabar. A inquisição científica não se pode estabelecer, para bem da ciência que sempre evoluiu por discussão, fruto de ideias revolucionárias que só a muito custo foram aceites, pagando alguns cientistas com a própria vida. Os consensos impostos na ciência sempre levaram a atrasos na aceitação das descobertas.

Por outro lado, as soluções apresentadas não são discutidas seriamente. Aqui aponto duas grandes soluções, o uso da energia nuclear e a utilização de biocombustíveis. Por detrás destas duas soluções está a ideia de reduzir as emissões de CO2 para a atmosfera e o fumo envolto em cada uma leva a que estas não sejam uma vez mais discutidas. Vejamos, a energia nuclear não deve ser descartada só por si, mas sabe-se que os resíduos nucleares actualmente não são tratáveis, nem recicláveis e nem passíveis de serem eliminados, colocando o risco nuclear à porta de cada um. No que toca aos biocombustíveis, vários estudos apontam para que os preços agrícolas fiquem acima da média dos últimos dez anos. Os grãos podem custar 20 a 50% mais. O que já se verifica. Utilizar imensas áreas agrícolas para produzir energia e imputar os custos aos produtos agrícolas parece mais um problema do que uma solução credível e viável, para além de que esta actividade também liberta CO2 para a atmosfera. Alguns até já apelidaram os biocombustíveis de necrocombustíveis
Pelo que foi exposto, parece-me que devemos todos lutar para que haja mais discussão e para isso deixo um apelo: por favor pensem, não acreditem no que escrevo ou no que outros escrevem, pensem e descubram as razões, mesmo que um qualquer Nobel diga o contrário.

Nuno Miguel Fialho Cavaco
Membro da DORS do PCP

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