A arte de mal gastarPor Jorge Fagundes
Barreiro

Por Jornal Rostos
Numa listagem recente do FMI, entre vários países e de acordo com o respectivo poder económico, Portugal ocupa o 47º. lugar.
Salvo melhor opinião, essa classificação não significa que somos um país rico, tendo em conta crises recentes, vinda de troikas para nos meter nos eixos, inclusão por parte de uma tais agências de rating ao nível de lixo ou um pouco acima, salários de quem ainda trabalha dos mais baixos da Europa, pensões e reformas idem, idem, recados permanentes do FMI e quejandos sobre os males da nossa economia e dos gastos acima das nossas possibilidades, etc, etc.
No entanto, e talvez devido a uma secular tradição de pobretes mas alegretes e de amigos de mal gastar, continuamos com uma certa mania das grandezas.
Por exemplo, encontram-se em curso dois empreendimentos que, a concretizarem-se, irão ter consequências gravosas para o nosso Barreiro.
Em primeiro lugar a utilização da actual Base Aérea nº. 6, no Montijo, como aeroporto complementar do de Lisboa.
Contra tudo e contra todos aqueles que bem e melhor percebem da matéria, não há quem ponha um travão nesse intuito.
O que parece estar na moda é o gastar à vontade de largos milhares de milhões de euros, deixar-se a construção do novo aeroporto de Alcochete em banho maria e o já existente em Beja às moscas.
E quanto aos largos milhares de habitantes do Barreiro e da Moita afectados pela constante passagem de aviões a rasar os telhados das suas casas, do Hospital do Barreiro, das Escolas e de outros locais com perigos latentes, que fazer?
Saber antecipadamente se concordam ou não? Isso é que era bom, ao fim de algum tempo estarão de tal maneira habituados que até irão estranhar a não passagem do avião das onze!
E sobre os milhares de aves que nidificam, passam e permanecem nas zonas de influência desse aeroporto? Enxotam-se e por decreto serão proibidas de ali ficar!
Em segundo lugar, o porto de contentores do Barreiro. Lisboa não o quer, Almada também não. Lisboetas e Almadenses argumentam que têm o direito a usufruir as suas margens do Tejo.
Os Barreirenses têm o dever de aceitar o que para eles não presta!!
E, vá lá, ainda irão ficar com a vista sobre Lisboa ali da muralha norte (que por grande favor não lhes irá ser retirada) e, quem diria, Lisboa e Almada, ao contrário dos felizardos Barreirenses, não têm as margens do rio Coina!
A pouco mais de trinta quilómetros do Barreiro existe o porto de Setúbal (será que existe?) devidamente apetrechado para receber os navios porta contentores a transferir de Lisboa. Já, por mais de uma vez, disseram os seus responsáveis que possuem melhores condições para o efeito, quer a nível portuário, quer em termos de vias ferroviárias e rodoviárias.
Ou seja: a utilização do porto para contentores já existente em Setúbal não dará origem ao encargo de muitos milhões de euros ao contrário da sua construção no Barreiro.
Moral da história: para Portugal cumprir a sua secular arte de mal gastar, porque o não continuar a fazer no Montijo e no Barreiro?
Jorge Fagundes













