Saltar para o conteúdo
Colunistas

Lógica férreaPor Nuno Santa Clara
Barreiro

De modo que Vladimir Putin, se quer limpar a sua imagem, terá de comprar armas americanas; esqueça os seus foguetes intercontinentais, os caças Mig e Sukhoy e até os mísseis S-400: o material americano até é melhor – palavra de vendedor.

3 min de leitura
Lógica férrea Por Nuno Santa Clara Barreiro

Por Jornal Rostos

Os recentes casos de assassinatos, ou tentativas de assassinato, executados por elementos dos serviços secretos de países que pouco têm em comum (além de espiões dasastrados), causaram grande impacto na opinião pública.
E o primeiro pensamento é de estranheza. Somos bombardeados por filmes e séries de TV com histórias rocambolescas baseadas nos serviços secretos, de que são um bom exemplo as aventuras do agente 007, já no seu quarto ou quinto avatar.

James Bond parece ser o arquétipo destas fitas, e o duplo zero significa que tem ordem para matar – com toda a proteção legal, política e diplomática. Ninguém pareceu incomodar-se com isso – até se perceber (quem percebeu) que não se tratava de pura ficção, mas de transposições fantasiadas de casos reais.
É certo que, no fim, quem morre são sempre os maus. O problema está em definir quem são os maus.

Pelo que se tem visto ultimamente, os maus são os que não concordam com os mandantes. Jamal Khashoggi era “apenas” um colunista do Wall Street Journal; quem o mandou raptar (o rapto é que correu mal!) foram os mesmos que impuseram sanções ao Qatar em Junho passado, alegando apoio ao terrorismo por parte do Emirato. Um dos pontos do ultimato era o fecho da conhecidíssima estação de TV Al Jazeera, uma referência mundial em informação, baseada no Qatar.

Esta desastrada ação levantou uma série de questões. E não pode deixar de se fazer um paralelismo com outra ação desastrada, a da tentativa de assassinato do ex-espião Sergei Skripal e da sua filha Yulia, em Salisbury.
Tudo indica que foram ambas executadas por agentes dos serviços secretos dos respetivos países, Arábia Saudita e Rússia.
Igualmente, em ambos os casos os agentes eram próximos das chefias dos respetivos países, o Príncipe Herdeiro Mohamed bin Salman e o Presidente Vladimir Putin.

Também se aceita (pelo menos em teoria) que os agentes tenham agido à revelia dos seus chefes máximos. Tal como o 007, que causava regularmente engulhos a M, o seu chefe.
Mas parece haver uma diferença.
Certos líderes inclinam-se para a culpabilidade de Putin, mas para a inocência de Mohamed bin Salman, ultrapassado pelos seus fiéis (?) colaboradores.

Por simpatia pessoal? Também podia ser, mas a nível estratégico os sentimentos devem ficar de fora.
Talvez a explicação esteja naquele negócio das arábias anunciado por Donald Trump: 110 mil milhões de dólares em armamento sofisticado – o melhor do mundo, apresentado em direto na TV, com um folheto tipo automóveis de luxo ou apartamentos de um resort.

De modo que Vladimir Putin, se quer limpar a sua imagem, terá de comprar armas americanas; esqueça os seus foguetes intercontinentais, os caças Mig e Sukhoy e até os mísseis S-400: o material americano até é melhor – palavra de vendedor.
E, por uma lógica férrea, passará a ser bem aceite no concerto das nações.

Nuno Santa Clara

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção