Falam, falam, falam e não fazem nada…Por Nuno Miguel Fialho Cavaco
Moita
Foi esse espírito que fez nascer as muitas coletividades desta terra que por longos períodos foram um importante apoio social, garantindo desporto, educação, cultura e lazer, bem como a formação de uma escola de cidadania e democracia.

Por Jornal Rostos
Pode-se afirmar que a Vila da Baixa da Banheira nasce com a industrialização da Península de Setúbal. As pessoas saíam das suas terras à procura de uma vida melhor. Vinham do Alentejo, do Algarve e das Beiras para procurar uma vida melhor. Vinham trabalhar na Indústria da Cortiça, Têxtil, Química, na Metalomecânica e Construção Naval, na Siderurgia, na CP. Enfim, vinham para trabalhar e não para gerir empresas ou herdades.
Aqui, existindo proximidade com as indústrias da região, as casas e os terrenos eram mais baratos para quem fugia da fome e da miséria nas suas terras de origem. A vida era dura e a população coletivamente organizava-se para melhor suplantar as adversidades. Eram tempos de ditadura e as dificuldades económicas, a exploração nas fábricas e a opressão fascista talharam o espírito Banheirense. Um espírito de luta, resistência e de esperança.
Foi esse espírito que fez nascer as muitas coletividades desta terra que por longos períodos foram um importante apoio social, garantindo desporto, educação, cultura e lazer, bem como a formação de uma escola de cidadania e democracia.
Nos anos 80 as coletividades em Assembleia decidem criar o União Desportiva e Cultural Banheirense e construir um campo de futebol na Baixa da Banheira. Juntaram-se esforços e o Complexo foi sendo desenvolvido. Este processo apoiado pelos sócios e amigos e autarquias esbarrou sempre na má vontade dos sucessivos governos. Até aos nossos dias não houve um único apoio governamental, apesar das várias promessas.
No dia 16 de março jogou-se pela primeira vez no Complexo Desportivo. Algumas dezenas de pessoas assistiram e desfrutaram do momento. A Junta de Freguesia divulgou uma foto com a seguinte legenda: “Após 30 anos de trabalho e de sonhos, hoje jogou-se pela primeira vez no Complexo Desportivo do União Desportiva e Cultural Banheirense”. Tal não foi o espanto quando recebemos uma notificação da Comissão Nacional de Eleições, porque “alguém” tinha apresentado uma queixa contra a publicação.
Numa outra luta de décadas, temos o Centro Saúde! Foram vários os anúncios da sua construção, sem nenhuma referência à Câmara Municipal da Moita, que apesar de não ser da sua competência e obrigação, cedeu um terreno, pagou os projetos de especialidade, fará os arranjos exteriores e será a dona da obra,
Alguns, os mesmos que pela sua mão ou via um qualquer telecomando, obstaculizaram o Complexo do União Banheirense ou o Novo Centro de Saúde, colocam-se hoje em bicos de pés e anunciam a boa nova, sem nunca referir o papel daqueles que sempre lutaram e trabalharam pelo desenvolvimento desta terra.. É caso para dizer, não fazem e nem deixam fazer. Apesar de terem sido esquecidos por eles, os Banheirenses não os esquecerão, até porque gostam muito de trabalhar e de ficar bem na fotografia.
Nuno Miguel Fialho Cavaco
Militante do Partido Comunista Português e Banheirense com muito orgulho













