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Estratégia indiretapor Nuno Santa Clara
Barreiro

A definição do “Eixo do Mal” é apelativa. Remete-nos para a Bíblia, para a luta entre o Bem e o Mal, maniqueísmo excelente quando se pretende uma imagem do Mundo a preto e branco.

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Estratégia indireta por Nuno Santa Clara Barreiro

Por Jornal Rostos

Embora este conceito seja tão velho quanto a própria guerra, foi o inglês Liddell Hart, antigo capitão da I Guerra Mundial, depois muito lido pelos generais, quem vulgarizou esta expressão. A ideia mestra é derrotar o adversário evitando o combate frontal. Na tática, tanto pode ser a “ordem oblíqua” de Frederico II da Prússia, como as batalhas de envolvimento da Wehrmacht na II Guerra Mundial.

Se me permitem uma comparação tauromáquica, são precisos oito forcados para pegar um touro de caras, mas apenas dois para o pegar de cernelha…
A estratégia é o campo ideal da estratégia indireta, porque permite um maior conjunto de ações de engano, iludindo o adversário quanto à verdadeiras intenções.

O recente fenómeno das fake news só veio reforçar com meios mais eficazes uma técnica antiga.
Assim, uma ação apregoada em nome de grandes princípios pode ocultar objetivos menos claros. Mas no fundo é simples: basta recordar o Evangelho de S. Mateus, “pelos frutos os conhecereis”.
Os frutos de recentes políticas estão bem à vista.

Diversos países envolveram-se na Síria, com especial destaque para a Rússia e os Estados Unidos, intervindo direta ou indiretamente no conflito. Como resultado, milhões de refugiados afluíram aos países vizinhos e à Europa próxima, mas não à Rússia ou aos EUA. Congestionaram as fronteiras, destabilizaram a União Europeia e fizeram despertar os sentimentos populistas e xenófobos que custaram à Humanidade cinquenta milhões de mortos há menos de um século.

A definição do “Eixo do Mal” é apelativa. Remete-nos para a Bíblia, para a luta entre o Bem e o Mal, maniqueísmo excelente quando se pretende uma imagem do Mundo a preto e branco.
Por isso o Irão foi catalogado no lado dos Maus. Razões haverá: ninguém é perfeito. Mas a recente decisão de acabar de vez com as suas exportações de petróleo não é tão simples.

Os EUA são produtores de petróleo. Na presidência de Obama, o petróleo foi considerado uma reserva estratégica, e mais valia importar do que consumir um bem não renovável. Agora parece que o importante é evitar que outros (Venezuela e Irão, para já) o produzam e exportem, de modo a valorizar a própria produção, e reduzir o colossal deficit externo, que não parou de aumentar desde o início da guerra económica (a tal fácil de ganhar).

O Japão optou pela guerra contra os EUA na sequência de um embargo total de petróleo.
A Guarda Revolucionária do Irão já ameaçou encerrar o Estreito de Ormuz, e para tal basta espalhar umas tantas minas.
Na sequência de um eventual conflito, sairão perdedores os importadores de petróleo, que pouco ou nada têm a ver com o assunto. Seriam as vítimas indiretas. Ou diretas?

Nuno Santa Clara

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