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Receita vencedoraPor Nuno Santa Clara
Barreiro

“A recetividade das massas é muito limitada e a sua inteligência é pequena, mas a sua capacidade de esquecer é enorme”. Lapidar, sobretudo quando o bombardeamento constante de frases e ditos ajuda a esquecer.

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Receita vencedora Por Nuno Santa Clara Barreiro

Por Jornal Rostos

O populismo está na ordem do dia, como programa político, como nome de partido ou então como insulto. Incontornável, portanto.

Assim sendo, devemos aprender com os seus mestres, tanto para o implementar como para o combater.
E quem pode ser considerado Mestre? Na minha opinião, o único que até hoje conseguiu derrubar a Democracia usando as ferramentas da Democracia – mesmo anunciando por pensamentos, palavras e obras que queria acabar com a Democracia.

Trata-se evidentemente de Adolf Hitler, o arregimentador de massas por excelência, o produtor dos espetáculos teatralizados e esmagadores que marcaram duas décadas.
Mas como via ele essas mesmas massas?

Seria inútil procurar resposta nos comícios e discursos. Eram encenações, em que tanto se invocava o revanchismo, como o antissemitismo, ou o anti-capiltalismo, ao sabor do auditório.
A resposta pode estar numa diretiva interna sua, da qual se podem extrair preciosos nacos de prosa.

Assim, temos: “toda a propaganda deve ser popular e o seu nível intelectual deve ser ajustado ao menos inteligente dos seus destinatários. Por conseguinte, quanto maiores forem as massas que se pretenda alcançar, mais baixo deverá ser o seu nível puramente intelectual”. O que tem toda a lógica: num comboio de navios ou de viaturas, a velocidade é determinada pelo meio mais lento.

Adiante: “a recetividade das massas é muito limitada e a sua inteligência é pequena, mas a sua capacidade de esquecer é enorme”. Lapidar, sobretudo quando o bombardeamento constante de frases e ditos ajuda a esquecer.
E ainda: “por conseguinte, para ser eficaz, a propaganda deve limitar-se a meia dúzia de pontos e transformá-los em slogans, até que o último membro do público compreenda o que nós queremos que ele compreenda com o nosso slogan”. Cabe aqui recordar George Orwell, no seu Triunfo dos Porcos (versão portuguesa), quando põe os carneiros a balir mecanicamente “quatro pernas bom, duas pernas mau”.

Sobretudo aquela parte: “o público compreenda o que nós queremos que ele compreenda”, ou seja, como se explica como ele via a educação das massas.
Qualquer semelhança com a atual realidade não é pura coincidência.

O primado do instinto ou da intuição pode ser encontrado em filósofos como Friedrich Nietzsche ou em demagogos como Hitler. Estes exemplos alemães poderiam ser repetidos até à saciedade em todos os países e culturas. Mas sempre dentro da base do “eu sei”, que não carece de estudo, pesquisa, investigação ou outras atividades igualmente suspeitas.

Ele está presente em muitas campanhas eleitorais, e só assim se compreende que países vivendo em Democracia há séculos tenham resultados eleitorais no mínimo surpreendentes.
Porque há sempre alguém tentado por uma receita vencedora.

Nuno Santa Clara

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