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Darwin & MalthusPor Nuno Santa Clara
Barreiro

Se as medidas propostas por Malthus eram de fundo moralista (castidade, casamento tardio), já as teorias de Darwin eram a antítese da tradição da criação bíblica do Mundo, enquanto a seleção natural, aplicada aos homens, era a negação da solidariedade.

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Darwin & Malthus Por Nuno Santa Clara Barreiro

Por Jornal Rostos

Thomas Robert Malthus (1766-1834) foi um ilustre cientista inglês, que publicou An Essay on the Principle of Population (Ensaio sobre o Princípio da População), no qual apontava o catastrófico aumento da população, fruto, entre outras coisas, do abrandamento das causas naturais de mortalidade, como as epidemias.

Charles Robert Darwin (1806-1882), outro ilustre cientista inglês, publicou On the Origin of Species (Da Origem das Espécies), hoje uma bíblia, na altura uma revolução nas mentalidades, em que formulava as teorias de evolução e seleção natural. De forma muito simplista, por este método, só os mais fortes sobreviviam, tanto na conservação da vida, como na preservação e evolução da espécie.
Se as medidas propostas por Malthus eram de fundo moralista (castidade, casamento tardio), já as teorias de Darwin eram a antítese da tradição da criação bíblica do Mundo, enquanto a seleção natural, aplicada aos homens, era a negação da solidariedade.
Mas Darwin e Malthus vieram para ficar, com críticas, negações, reformulações, e com os “neos” da praxe.

Na sua terra de origem, a pandemia de coronavírus fez despertar novo surto das velhas teorias.
Transcreve-se parte de um artigo de Francisco Bethencourt Rodrigues saído no Público sobre a forma como no Reino Unido se vem tratando o coronavírus:

O modelo inicial, caucionado pelos chefes médico e cientista junto do governo, era de facilitar a difusão do vírus para garantir a imunidade da manada (sic). A lógica era explícita: o vírus poderia reaparecer mais tarde e seria necessário obter imunidade com a infeção de pelo menos 60% da população, ou seja, 40,7 milhões infetados numa população de 67,8 milhões.
Mesmo que a atual taxa de mortalidade fique reduzida de 3,6% para 2,5%, o que é duvidoso, isso significaria a morte de mais de um milhão de pessoas.

Nesta abordagem científica (?), há alguma semelhança com as teorias escatológicas das virtudes da guerra, surgidas há pouco mais de um século, enquanto motivadoras de nobres sentimentos, elevados fins, sacrifícios redentores – e redução da população. A I Guerra Mundial acabou com essa espécie de romantismo, mas não por completo. Basta ler os escritos de Mussolini para constatar uma certa resiliência.
Decerto que os autores da “teoria da manada” se julgam integrados na “minoria dos pastores” e como tal isentos da extinção em massa.
Ou esarão mesmo?

Se só os mais aptos sobreviverem, foi porque se precaveram a tempo – ainda que com batota. Mas não será que o “Sal da Terra” merece isso?

Nuno Santa Clara

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