Saltar para o conteúdo
Colunistas

Liberty BellPor Nuno Santa Clara
Barreiro

O “Sino da Liberdade” é um dos grandes símbolos do nacionalismo e da liberdade, que tem estado sempre presente na cultura americana. Foi fundido em 1752, em Londres, curiosamente na mesma fundição do não menos famoso Big Ben, embora este um século mais tarde.

3 min de leitura
Liberty Bell Por Nuno Santa Clara Barreiro

Por Jornal Rostos

Originalmente chamado Old State House Bell , foi instalado em Filadélfia e tocou convocando os cidadãos em 1774, para a abertura do primeiro Congresso Continental, e em 1776 para a leitura da Declaração de Independência. A partir daí tocou sempre nas grandes ocasiões da vida pública dos Estados Unidos da América, ficando depois ligado à causa abolicionista, pelo que ganhou o atual nome de Liberty Bell.
O lado mítico do sino ficou bem demonstrado na escolha do nome de uma nave espacial americana, batizada como Liberty Bell. O voo decorreu bem, mas houve problemas na amaragem, tendo-se a nave afundado e permanecido no fundo do mar entre 1961 e 1999.
Segundo o sistema eleitoral americano, a eleição do Presidente faz-se de forma indireta., através de um Colégio Eleitoral, composto por um conjunto de 538 “grandes eleitores”, escolhidos em cada Estado pelos “pequenos eleitores”, que são os cidadãos comuns. O número varia em função da população de cada estado, dando assim mais peso aos estados mais populosos na eleição do Presidente.

É o caso da Pensilvânia, com 20 “grandes eleitores”, o que a torna num importante palco de confronto entre os candidatos. A Pensilvânia votou Trump em 2016, e o Congresso Estadual tem maioria republicana. Entretanto, surgiram rumores sobre eventual desrespeito pelos resultados eleitorais, se fossem desfavoráveis ao atual Presidente.

O Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu, por unanimidade, considerar constitucionais as leis que penalizam ou substituem os eleitores do Colégio Eleitoral que não escolham o candidato presidencial mais votado no seu Estado.
Qualquer tentativa no sentido de se substituir à votação não teria, portanto, legitimidade.
Restaria a desobediência e o confronto, como sucedeu na Guerra Civil Americana. Tão improvável foi, no seu tempo, como o que agora se apresenta.

Só que os tempos mudaram, e dificilmente se concebe a desobediência das tropas federais, ou mesmo da Guarda Nacional dos Estados; já quanto às “milícias não organizadas” dos Estados e às diversas polícias locais, podem existir dúvidas.
Torna-se estranho ter-se levantado esta questão na terra do Liberty Bell. Irá ele afundar-se, como a nave espacial homónima? E o que mais se afundaria?

Pelo que recordamos outros sinos, os que Ernest Hemingway referiu, no seu romance Por quem os sinos dobram, citando o poeta John Donne: “nunca perguntes por quem os sinos dobram; dobram por ti”.

Nuno Santa Clara

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção