Um regresso inesperado (Conto)Por Jorge Fagundes
Barreiro
A dita vivenda é rodeada por um muro não muito alto e tem um pequeno jardim na parte da frente e nas traseiras um quintal médio com algumas árvores de fruta, um espaço para cultivo de legumes e uma capoeira com galinhas e coelhos.

Por Jornal Rostos
Há cinco anos, na semana anterior ao Natal, a D. Margarida saiu para fazer compras e no regresso a casa, ao abrir o portão gradeado de acesso, deu conta de ali se encontrar um pequeno gato que de imediato veio encostar-se às suas pernas. Era bonito, tigrado cinza com olhos verdes e logo que D. Margarida abriu a porta de casa a seguiu miando baixinho.
“Ora bem! O que vou fazer ao gato? Vou ficar com ele, talvez venha a ser um bom caçador daqueles ratinhos que, volta não volta, aparecem na capoeira!”
Nessa noite, quando se sentou para ver a televisão, o gato saltou para o seu colo, ronronando. E o mesmo nas noites seguintes, chegando, a partir de cetra altura, a ir dormir na cama da dona.
Como gostava muito de festinhas a D. Margarida resolveu dar-lhe o nome de Mimoso.
O Mimoso foi crescendo e, como o esperava a dona, tornou-se um exímio caçador dos ratinhos de visita, sem regresso, à capoeira do quintal.
O Mimoso adorava estar à janela da sala olhando quem passava na rua em frente, e também apreciava dormitar no jardim apanhando sol. E, uma vez por outra, passando entre as grades do portão, ia dar uma voltinha pelos arredores e regressava a casa.
Porém, desde o princípio de Outubro estas saídas tornaram-se quase diárias com um tempo de volta a casa mais demorado. A D. Margarida estranhou este novo comportamento, mas como o gato sempre regressava , não deu grande importância ao sucedido.
Mas, no passado dia vinte e três o Mimoso saiu logo de manhã e não mais apareceu.
A D. Margarida ficou aflita e foi a casa das vizinhas perguntar se tinham visto o gato, e algumas com ela foram procurar nas redondezas, Nada!
A D. Margarida, que muito se tinha afeiçoado ao Mimoso fartou-se de chorar.
“E logo neste Natal, que o meu filho, nora e netas não podem vir da Suíça e ele seria a minha única companhia na ceia”.
Na noite de Natal D. Margarida sentou-se à mesa para a sua modesta consoada, olhou, lacrimosa para o pratinho do Mimoso (“como ele gostava do arroz doce!” e, refeição mais ou menos a meio, ouviu um arranhar na porta e o miar bem alto do desaparecido gato.
Levantou-se, apressada, veio abrir a porta e o Mimoso entrou mas…acompanhado por uma bonita gata, pelagem preta e branca, e dois gatinhos iguaizinhos a ele!
Jorge Fagundes













