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Colunistas

O REFLEXO DA REFLEXÃOPor Emanuel Góis
Barreiro

Nos diversos quadrantes da nossa sociedade e na sequência de alguns acontecimentos que, de quando em vez, nos vão surgindo com maior ou, menor amplitude no decurso “do dia a dia”, existe sempre um conceito comum a todos eles e, factualmente, repetido ao longo dos anos.

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O REFLEXO DA REFLEXÃO Por Emanuel Góis Barreiro

Por Jornal Rostos

É, pode dizer-se, transversal a diversas áreas do nosso quotidiano e passa pelas questões mais importantes para a vida de cada um de nós ou, porque não, para o interesse que, individualmente, possa prender mais a atenção.

Foi assim com o recente acto eleitoral para eleição dos deputados à assembleia da república, como o é, igualmente, numa área totalmente oposta, mas não menos significativa e abrangente, como é a do futebol, relativamente aos complexos e menos claros assuntos que, quer no campo desportivo, quer nos económicos, financeiros e gestão organizativa, galvaniza os responsáveis, muitos deles vitalícios, bem como os habituais opinadores a virem, publicamente, dizer de sua justiça.

Por fim e, de uma forma mais geral, assim também acontece em áreas tão importantes para o bem- estar de uma sociedade, como são a justiça, saúde, educação e ambiente, por exemplo.
Sempre que algo ou alguma coisa é menos positiva, se quisermos, negativa, acontece e, por consequência, aglomera e concentra o desagrado da maioria da população ou um qualquer sector, embora específico, mas não menos relevante, lá vêm os analistas, alguns deles convertidos em comentadores, estes em jornalistas, políticos e politólogos, economistas e gestores, sindicalistas e bloguistas, toda uma série de personalidades, a procurar encontrar a palavra salvadora e justificadora daquilo que correu mal.

Chamam-lhe – REFLEXÃO.

É, assim após os resultados eleitorais, onde sempre surgem os líderes políticos, designadamente, sobre os elevados números de abstenção, apelando a – “todos temos de fazer uma REFLEXÃO” - ou outros – “o que aconteceu obriga e impõe uma REFLEXÃO do Partido” ou, ainda – “os resultados eleitorais vão exigir de todos nós ima profunda REFLEXÃO”.

Numa palavra; tudo passa por uma profunda REFLEXÃO.

Vamos para as áreas da saúde, educação, justiça, ambiente e lá vêm os mesmos, sejam eles responsáveis, comentadores, jornalistas, opinadores e mais uns e mais outros, diagnosticar a situação, apelando a que o país tem de fazer uma clara e inadiável REFLEXÃO.
É assim também com o combate à corrupção, com a prestação de serviços da administração pública, a gestão dos tribunais, a reforma as Forças Armadas, a prepotência da máquina fiscal, as políticas laborais e de emigração, as saídas profissionais para os nossos jovens mais qualificados estudantes, sei lá eu que mais, todos apelando a uma urgente e imperiosa REFLEXÃO.
Ao ouvir e ler tudo isto por parte destas insignes personalidades, fico assustado para tentar - e fico só pelo tentar - perceber, como é que esta gente tem ou, vai ter tempo, para tanta REFLEXÃO.

Como não os vejo recolhidos em conventos ou lugares recatados, antes, pelo contrário, sempre em movimento e jantares, reuniões e visitas, entrevistas e sei lá que mais, debitando diariamente slogans, sejam eles próprios a fazê-lo ou, esses outros, os comunicadores na imprensa escrita e falada, agora mais en vogue apelidados de influencers que, muito francamente, tenho dificuldade em entender onde poderão encontrar no sossego, sozinhos ou em grupos especializados, o precioso tempo para a dita REFLEXÃO.
Até no futebol, actualmente tão badalado na comunicação social.

É sabido que desde há anos, fundamentalmente, a partir do momento, na minha modesta opinião, em que os nossos amados clubes se transformaram em sociedades anónimas cotadas na bolsa, deixaram de ser dirigidos pelos nossos dirigentes com quem bebíamos um café na sede do clube e passaram a ser governados por mais ou menos desconhecidos cavalheiros engravatados, apelidados de gestores, ou nem isso, como membros dos conselhos de administração, que acabou o desporto genuíno e as quotas de sócio passaram a ser substituídas por acções das SADs e a conquista do troféu mais não serve que meio para obtenção de milhões.

Obviamente, que a indústria criada com o apoio e interesse não disfarçado das cadeias de televisão, fundamental e imprescindível para a sua dimensão universal, veio dar origem ao aparecimento de uma indescritível oportunidade de negócio, grande parte dele mais obscuro que escuro, passando a ficar polvilhado e infiltrado por gente com interesses de toda a espécie.
Sem necessidade de exaustão, poderei colocar à cabeça do sistema, empresas, sociedades financeiras e Bancos, empresários de futebol, dirigentes de instituições desportivas e de clubes, árbitros e toda uma gigantesca máquina de parasitas que, educadamente classificados, passaram a fazer parte da Estrutura.

E daí, quando as cisas começam a correr mal, lá vem a palavra abençoada e salvadora – REFLEXÃO.
Deste modo, o povo, o povinho que só quer que não o chateiem, lá tem vindo há décadas, tal qual eu que dele faz parte, a ouvir toda esta lenga, lenga de conhecedores das várias matérias a dizer – “é urgente ser feita uma REFLEXÃO” - “Todos temos de fazer uma REFLEXÃO sobre o que se passou” – “ O país tem de parar, por um momento, e fazer uma profunda séria REFLEXÃO quanto ao rumo que quer seguir”.
Ou seja; REFLEXÃO; sempre e mais REFLEXÃO.
Contudo, no meu caso, cuja REFLEXÃO apenas se estende até á porta de casa, vou fazendo a minha parte. Procuro estar sempre em permanente REFLEXÃO.

Talvez por isso, não alinhe na conversa de tantos “reflectores”.
A maior preocupação que deixa a minha REFLEXÃO é, após tantos anos a ouvir a mesma conversa, ainda aguardar qual será o dia em que todos fiquemos a saber, afinal.
QUAL O REFLEXO DE TANTA REFLEXÃO

Emanuel Góis

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