Serviço Nacional de Saúde? Com certeza! Mas assim? Não!Por Carlos Alberto Correia
Barreiro

Por Jornal Rostos
Posto isto, como não há bela sem senão, vou tentar relatar uma experiência recente, tencionando manter-me sereno e compreensivo, não entrando em diatribes negativas ou emocionais.
Assim recebi a informação de familiar muito chegado, a sentir-se mal, comunicando-me que iria chamar o 112 para o conduzir às urgências, com a especialidade de que necessitava, porquanto, ligando para hospitais do SNS e mesmo particulares, nesse dia, sábado 29 de outubro, nenhum disponha de especialistas, nas urgências, para o seu caso. O 112 foi rápido a responder e trazia, como seria de esperar, a informação da urgência dessa especialidade, no caso vertente o Hospital de Santa Maria, para onde estava a ser dirigido.
Como penso ser normal nestas situações, meti-me no carro e rumei também para esse hospital.
Cheguei bem depois da ambulância. Após alguma tribulação para parquear o carro, dirigi-me às Urgências, uma pequena sala repleta de bombeiros e outros serviços de transporte de doente, de pessoas chegadas por meios próprios à espera de triagem e por um sem número de gente à procura de informações sobre familiares chegados às urgências. Tirei a senha conveniente para o meu fim e aguardei a chamada. Na maior parte do tempo, que me foi dado observar, apenas um dos dois guichés tinha um atendente. Raramente os dois se encontravam presentes. Como será de esperar o tempo de espera torna-se longo, pelo tempo em si e pela angústia de cada um. Mas, enfim, lá consegui ouvir chamar pelo número da minha senha. A esperança durou pouco. Apenas me confirmaram o que eu já sabia. A pessoa tinha entrado nas urgências e aguardava diagnóstico. Perguntei como, onde e quando poderia obter informações mais detalhadas e, como resposta recebi um só aqui! Espera mais uma hora, tire então nova senha e aguarde a chamada. Assim fiz. Seria pelas treze horas. Às catorze lá estava a tirar a senha e aguardar pacientemente a chamada, um tanto ou quanto desesperado porque o número de esperantes aumentava a olhos vistos e, compreensivelmente, os transportados pelos bombeiros e os que aguardavam triagem tinham natural precedência. Quando chegou, por fim a minha vez já perto das quinze horas, disseram nada ter ainda a reportar e voltasse a repetir todos estes movimentos pelas 16 horas. Assim fiz, com os mesmos resultados. Desesperado perguntei de novo se haveria outra forma de obter qualquer informação sobre o estado, necessidades e possibilidades de contactar o doente. Não senhor, não havia. Apenas daquela forma e ali, me seriam dadas quaisquer notícias. Perante a minha exclamação, ainda contida, de que esperava à quatro horas por uma simples informação, foi-me dado um conjunto de números de telefones para, só após as vinte horas, ligar, Aí teria toda a informação pretendida. Trouxe os números, mas já em mim residia alguma desconfiança. Por isso, decidi recorrer a meios de informação alternativos – em Portugal não se consegue passar disto – e lá soube estar o meu familiar nas pequenas cirurgias, já em tratamento e à espera do cirurgião. Ainda, na noite de sábado a mesma fonte informou que a intervenção correu bem e o doente ficaria até 48 horas no SO, em observação.
De qualquer modo, para testar o sistema, às 20 horas comecei a ligar para o número direto das urgências. Duas situações se punham: ou o sinal era de impedido, ou quando chamava, durante longos minutos ouvia o bip constante até que a conexão se desligava automaticamente. Usando o número geral, a voz mecânica mandava-me premir a opção 1 e com o sinal de chamada a soar esperava até que a mesma voz, como se eu tivesse ligado de novo, me mandava premir a opção 1. E isto repetia-se sem parança nem atendimento. Esta manhã voltei a tentar todos os meios indicados, com o mesmíssimo resultado.
Concluindo, não querendo atacar os funcionários assoberbados por múltiplas tarefas, alguma coisa naquela organização está mal. Se não há gente para atender os telefones, não os entreguem, semeando esperanças sem sentido. É um perfeito suplício passar horas a tentar saber umas simples informações sobre o estado de um ente querido e esbarrar na insensibilidade dos bip-bip sem resposta. Um maior respeito pelo cidadão obrigaria a organizar esses serviços de forma a obterem-se as explicações mínimas, evitando a corrida a deslocações ao serviço, só a acrescentarem caos à confusão.
Sei que é um facto menor e não tenho dúvidas de que o meu familiar foi bem cuidado, porém este sistema só cria angústia e alvoroço a toda a hora. Separem a receção de doentes das informações. Tenham alguém a atender apenas os telefonemas, que presumo serem muitos, e evitarão as confusões, aglomerações, irritações e casos a derivarem para confrontações a assaltarem quem espera, sem culpa deles e da sua ansiedade, bem como dos funcionários incapacitados de atenderem todos os casos com prontidão mínima.
É apenas um caso menor de organização dos serviços. Façam lá um esforço senhores administradores. Se calhar, um simples serviço de SMS, para pessoa indicada pelo doente, poderia resolver estes casos, com benefícios para os funcionários, os doentes, a família e para o ambiente, por menor recurso a deslocações de carros, com as suas descargas, a poluírem ainda mais o ar da cidade..
Carlos Alberto Correia













