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Colunistas

Psicologia & Notas ReflexivasSOMOS RELAÇÃO PORQUE ESTAMOS EM RELAÇÃO
(Notas psicodinâmicas)
Por Rui Grilo
Barreiro

Sem relação não existimos e em relação transformamos quem somos.

Estar em relação, é tão mais importante e imprescindível, quanto as mais diversas necessidades que evidenciamos. Também em relação, conseguimos transformar quem somos, sendo que essa transformação deriva do processo de vinculação afetiva, mas sobretudo, resulta da durabilidade ao nível do investimento que colocamos sobre o outro e sobre nós mesmos.

3 min de leitura
Psicologia & Notas Reflexivas SOMOS RELAÇÃO PORQUE ESTAMOS EM RELAÇÃO (Notas psicodinâmicas) Por Rui Grilo Barreiro

Por Jornal Rostos

É na relação, que colocamos em causa o outro, mas acima de tudo o que sentimos, fazendo para isso uma análise interna do nosso papel nessa relação.

Estar em relação significa podermos confiar, e é nessa simbiose que crescemos em conjunto revelando cumplicidade. Não confiar traduz-se no comprometimento da relação, sendo que, perante processos de desconfiança, a relação é assombrada por elementos persecutórios muito associados à perda.

As relações terminam porque os afetos tornaram-se insuficientemente capazes de se suplantarem a eles próprios, mas sobretudo, porque deixaram de injetar no mundo emocional, doses de amor relacional e afetivo.
O afeto tornou-se embutido de falta de esperança e de significado. A relação termina porque o afeto já não reconhece o amor.

Sem amor não existe relação, porque o ser humano depende do afeto para não sentir a solidão. Não aquela solidão que nos ampara e que nos promove alguma mudança interna, mas sim aquela solidão ligada à falta de amor... à depressão relacional...

Como se existisse no nosso quadro psíquico uma solidão transicional e uma solidão estrutural.

Quem está no patamar da solidão transicional, significa que consegue elaborar e dar significado ao seu processo, logo, tende a não adoecer... Por outro lado, quem revela uma solidão estrutural, evidencia um fundo depressivo assente em relações inexistentes ou falhadas. A depressão revela-se na falta de entusiamo perante as coisas simples da vida, e nessa perspetiva, a depressão é exacerbada pela falta de amor...

E tal como afirmou António Coimbra de matos, precisa-se de mais amor e menos doença. Logo, a depressão significa doença e carência de afeto e relação. Quando a necessidade de cuidar aparece translúcida, então podemos colocar em causa a relação de afeto...

A relação transforma, seja entre a mãe e filho; entre o professor e aluno ou entre o terapeuta e paciente. A mudança está inerente ao processo relacional, enquadrado e motivado apenas pela nossa própria existência emocional.

Ora, em relação fomos concebidos... mas também em relação fomos amados ou, ao invés disso, dilacerados emocionalmente e pouco cuidados. Como se, em relação, existisse um apessoamento do outro naquilo que é a partilha de afeto e de amor, ou por outro lado, uma projeção inconsciente massiva de fantasmas revestidos de dor e angústia.

Assim, o ser humano apenas o é porque está em relação...

Um bem haja.
Rui Grilo - Psicologia & Notas Reflexivas

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