Saltar para o conteúdo
Colunistas

A Saúde Mental dos Jovens: uma dor socialPor Vera Silva
Barreiro

“Homens fortes criam tempos fáceis e tempos fáceis geram homens fracos, mas homens fracos criam tempos difíceis e tempos difíceis geram homens fortes”.

Os tempos que vivemos são cada vez mais difíceis de gerir a todos os níveis, social, económico, educacional, de saúde, emocional. Este último parece integrar todos os outros, porque sem emoções não somos o que somos.

4 min de leitura
A Saúde Mental dos Jovens: uma dor social Por Vera Silva Barreiro

Por Jornal Rostos

Trouxemos o mundo até ao ponto que está agora, poderia dizer trouxeram e culpar gerações anteriores, mas o que é facto é que tudo é um ciclo e nem com essa suposta aprendizagem que deveria ter sido feita, nós modificámos o que temos agora. Criámos uma dor social. Somos explosivos nas emoções, quando mais se fala de autoconhecimento, desenvolvimento pessoal, piores nos tornamos. Procuramos a solução para o buraco negro no qual nos inserimos. Mas temos esse buraco negro dentro de nós. Se a saúde mental dos jovens está como está fomos nós que a trouxemos até este ponto. Todos queremos o melhor para as crianças e jovens, mas estivemos demasiado tempo centrados no bem-estar material e esquecemos que o mais importante não é isso. O nosso cérebro é bombardeado a cada milissegundo com múltiplas informações que nós próprios não conseguimos gerir, quanto mais gerir a mente dos mais novos.
Deixámo-los por sua conta numa sociedade com tanto risco e o que lhe ensinamos é o cuidado que devem ter com o mesmo. Mas esquecemo-nos de lhes ensinar o quanto podemos ser bons e o quanto a sociedade pode ter de bom. Esquecemo-nos de lhes ensinar a explorar esse lado social benéfico. Vivemos num medo constante de que algo negativo lhes aconteça. Esse medo gera fraqueza de nós próprios e daqueles por quem somos responsáveis na educação. Assistimos e deixamos muitas vezes assistir (porque o controlo parental nos media e internet não existe) os mais novos a notícias assombrosas, porque é com esse medo que a sociedade se controla. Somos uma sociedade deprimida, ansiosa, que molda os que chegam da mesma forma. Os jovens estão constantemente insatisfeitos, pois também nós estamos. Somos um ser que vive do imediato e o imediato é fruste. A insatisfação constante com o que possuímos e a necessidade constante de aprovação do que somos e fazemos pelos demais gera uma dor social caracterizada por depressão e infelicidade. O número de suicídios ou tentativas de suicídio nos jovens e crianças aumentou sobejamente. Como é que numa idade onde consideramos ser eternos se pode querer acabar com a vida? O que não temos a noção é não é com a vida que os jovens querem acabar, mas sim com o sofrimento em que vivem. Existem cada vez mais jovens medicados com antidepressivos, ansiolíticos, antipsicóticos e que procuram outras formas de evitar o sofrimento. Por detrás de um vício há sempre uma dor e se os jovens procuram vícios é para encapuzar algo que os deteriora doutra forma mentalmente. Podemos culpar os jogos, sim há jogos violentos e que nada de bom trazem a estas gerações. Mas como podemos dizer “não jogas” quando a criança ou jovem olha para o lado e vê os cuidadores ao telemóvel fixados nas redes sociais? A educação cresce pelo exemplo.

São cada vez mais as situações de automutilação nos jovens, por exemplo através de objetos cortantes. Quando o jovem se corta na maioria das vezes é para ter a noção que o seu corpo continua vivo através do processo de dor. Outras serão chamadas de atenção para o estado no qual a sua mente se encontra, são um pedido de ajuda. Quando este pedido de ajuda não é acudido, as situações de saúde mental encobertas prolongam-se até à idade adulta impedindo o jovem de ter um futuro pessoal, social e profissional feliz. Mas se nem nós sabemos o que é a felicidade…

A adolescência é um período crucial para o bom desenvolvimento de como lidar com as emoções, valores e integração social. As rotinas que se primazia tanto na infância devem manter-se na adolescência desde o sono regular, estímulo ao exercício físico e autonomia nas tarefas da vida diária. Assim como os bons relacionamentos familiares e com os pares. Para isto a concordância de apoio entre a família, escola, comunidade são essenciais no que se transmite aos jovens sobre integridade e hombridade. Pois, mas estamos na fase dos tempos difíceis e dos homens fracos, deveríamos ter pensado nisto antes e ter coragem para quebrar o ciclo e termos tempos fáceis com homens fortes.

Vera Silva

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção