Psicologia – Notas ReflexivasVIVÊNCIA PRISIONAL E A REINTEGRAÇÃO SÓCIO PROFISSIONAL
Por Rui Grilo
Barreiro
A pessoa de que falo, foi condenado a cumprir pena num estabelecimento prisional por ter cometido um crime. Apesar disso, ele era um homem jovem com muitos sonhos e planos para o seu futuro.
Numa fase inicial esta pessoa de que falo, teve bastantes dificuldade em adaptar-se à vida na prisão e às rotinas nela impostas. Ali, ficou desprovido de qualquer objeto pessoal, sem posses e sem ter nada que o distinguisse dos demais.

Por Jornal Rostos
Sentia-se isolado do mundo exterior, privado da liberdade que conhecia e sem grande esperança de sair dali algum dia. Mas, com o tempo, a pessoa de que falo fez amizades e estabeleceu relações com outros, por forma a tentar levar a sua vida na prisão da melhor forma possivel.
Por outro lado, e por forma a desenvolver a sua capacidade intelectual e de abstração perante a sua dura realidade, começou a participar em inúmeras atividades dentro da prisão, como aulas de orientação escolar e cursos de formação profissional.
Paralelamente, foi desenvolvendo inúmeras tarefas e atividades remuneradas no âmbito da manutenção e higienizacao dos espaços, lavandaria e copa.
Esforçou-se por encontrar uma nova perspetiva de vida dentro da prisão, sendobque rápido percebeu que poderia usar o tempo que tinha ali para se preparar para um futuro melhor. A sua atitude comoortamental e a sua responsabilidade foi algo que procurou sempre moldar e alterar.
Com o passar dos meses, foi-se redescobrindo enquanto pessoa, e com o devido acompanhamento técnico, iniciou um trabalho de desenvolvimento pessoal por forma a aprender a lidar com suas emoções e a controlar sua impulsividade. Também passou a valorizar mais a família e os amigos que deixou do lado de fora daqueles muros que o privam do olhar livre sobre as montanhas.
Também nesta fase, inicou o processo associado à sua posterior reintegração na sociedade do ponto de vista profissional.
De forma transversal a todos estes aspetos e além dos constantes sentimentos de perda que a pessoa vivenciou, convém aqui destacar dois sentimentos que se complementam e que fizeram parte de todo este processo. O arrependimento sentido pela pessoa ao ter cometido o crime, sendo uma emoção que surge quando alguém percebe que cometeu um erro ou que tomou uma decisão errada perante determinadas situações. A culpa, por sua vez, é uma emoção que está relacionada à percepção de que alguém violou uma norma moral ou social e é responsável pelo dano causado.
No termo da pena, a pessoa foi libertada deixando a prisão com uma nova visão de mundo e com novas competências que adquiriu durante sua estadia.
Depois...veio o mais dificil.... a sua reintegração na sociedade e as dificuldades de inserção socio profissional....
Um bem haja,
Rui Grilo













